APA Group adquire 80% da usina de gás Brigalow, primeira nova planta do tipo em uma década no Queensland
A APA Group comprou 80% do projeto Brigalow (400 MW), a primeira nova usina de gás de pico construída no Queensland em dez anos. A CS Energy manterá 20% e comprará a energia a partir de 2029. O projeto integra a estratégia de segurança energética do estado, priorizando geração despachável.
A APA Group, uma das maiores operadoras de redes de gás da Austrália, anunciou a aquisição de 80% do projeto de usina de gás de pico Brigalow, com capacidade de 400 MW. A transação permite que a CS Energy, empresa estatal de Queensland, venda a participação majoritária e se concentre na compra da energia gerada, que deve entrar em operação no início de 2029. A usina será construída ao lado da estação de Kogan Creek e da bateria de Chinchilla, integrando-se a uma região que já abriga projetos de energia renovável e armazenamento.
O projeto conta com um ecossistema de fornecedores consolidados: a GE Vernova fornecerá as turbinas a gás, a Monadelphous cuidará do trabalho de engenharia complementar e a própria APA construirá um gasoduto de 23 km para conectar a planta à rede Roma-Brisbane. O abastecimento de combustível será garantido pela Senex, que fornecerá até 58,4 petajoules de gás natural do desenvolvimento Atlas, localizado na Bacia de Surat. Essas parcerias garantem a viabilidade técnica e logística da nova infraestrutura de geração despachável.
A decisão da CS Energy reflete uma mudança estratégica no portfólio de investimentos da empresa estatal. Em meio à venda de participações em parques eólicos, como Boulder Creek e negociações avançadas sobre Lotus Creek, a companhia prioriza a contratação de energia firme e flexível. O CEO Stephen Harty defendeu que a geração a gás oferece suporte de duração mais longa com emissões significativamente menores que o carvão, atendendo à demanda por eletricidade despachável rápida exigida pelo roteiro energético do governo de Queensland.
O contexto político e energético de Queensland mostra um movimento claro de priorização da segurança de suprimento via gás natural, em detrimento de novos investimentos equitativos em eólicas por parte de estatais. Embora a região continue atraindo grandes projetos de dados e renováveis, a entrada da APA Group sinaliza que a infraestrutura de gás permanece central para a estabilidade da rede elétrica estadual. A obra deve reforçar a capacidade de resposta a picos de demanda, um papel crítico em um sistema de energia que busca equilibrar intermitência e confiabilidade operacional.
Tags
Comentários (0)
Seja o primeiro a comentar.
Receba o essencial do setor de energia
Os principais fatos que afetam preço, regulação, geração e combustíveis — todo dia ao meio-dia, no seu e-mail.
Como esta matéria foi produzida: apurada a partir da fonte oficial citada e de documentos primários, com verificação de números, datas e prazos antes da publicação, seguindo a nossa Política Editorial — que inclui o uso de tecnologia própria na apuração. Viu algo a corrigir? Fale com a redação.