BNEF projeta 584 GW de solar em 2026; China cai 29% e foco muda para armazenamento
A BloombergNEF revisou para baixo sua projeção de instalações solares globais para 2026, agora em 584 GW. O ajuste reflete uma desaceleração acentuada na China, que deve instalar 271 GW, contra 383 GW em 2025. Enquanto isso, o resto do mundo cresce, impulsionado por mercados residenciais e comerciais emergentes e pelo foco em armazenamento.
A BloombergNEF reduziu sua projeção de instalações solares globais para 2026 em 10,8% em relação a 2025, estabelecendo um novo patamar de 584 GW. Essa revisão para baixo reflete uma desaceleração mais acentuada do que o previsto anteriormente, especialmente no mercado chinês, que foi o principal motor do crescimento recente. A trajetória das previsões mostra uma redução progressiva: de 753 GW no primeiro trimestre de 2025, caiu para 649 GW em dezembro de 2025, e agora para 584 GW.
A China, que instalou 383 GW em 2025, deve instalar apenas 271 GW em 2026, uma queda de 29%. Nos primeiros seis meses de 2026, a instalação foi de 71,8 GW, contra 212,2 GW no mesmo período do ano anterior, representando uma redução drástica de aproximadamente 66% na taxa de implantação. Jenny Chase, analista de CleanTech da BNEF, atribui a desaceleração na China à saturação do mercado e não a questões políticas ou de preços.
Enquanto a China desacelera, o resto do mundo supera ligeiramente as projeções da BNEF. As instalações fora da China devem crescer de 272 GW em 2025 para 313 GW em 2026. Isso demonstra uma diversificação geográfica do mercado solar global. O crescimento fora da China é impulsionado principalmente pelo mercado residencial e comercial, especialmente na Índia, Filipinas, Nigéria e Malásia.
A projeção da BNEF de 584 GW para 2026 sinaliza uma desaceleração estrutural liderada pela saturação do mercado chinês. Essa correção revela que o crescimento 'frenético' anterior é insustentável, enquanto o foco estratégico global migra da expansão pura de capacidade utilitária para soluções distribuídas e armazenamento, impulsionadas por mercados emergentes. A redução drástica na projeção não decorre de instabilidade política ou preços, mas da saturação física e regulatória na China.
O novo plano quinquenal chinês desvia o foco da instalação massiva de painéis para a integração de armazenamento, corrigindo o desequilíbrio entre geração intermitente e capacidade da rede. Em contrapartida, o setor não-utilitário (residencial e comercial) ganha força, tornando-se a maior área de investimento em renováveis globalmente. A desaceleração chinesa força uma reavaliação global: o crescimento futuro dependerá menos de picos isolados de instalação e mais da diversificação geográfica e tecnológica.
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