Espanha concede € 265 milhões a 11 projetos de hidrelétrica reversível com 49,9 GWh
A Espanha concedeu € 265 milhões em subsídios a 11 projetos de hidrelétrica reversível que somam quase 4,1 GW de turbinamento e 49,9 GWh de armazenamento. As duas rodadas do programa BORALMAC, resolvidas entre 2024 e 2026, incluem projetos novos e aproveitamento de infraestrutura existente, com conclusão prevista até 2035.

A Espanha concedeu € 265 milhões em subsídios a 11 projetos de hidrelétrica reversível que somam quase 4,1 GW de turbinamento e 49,9 GWh de armazenamento, distribuídos em sete comunidades autônomas, segundo o IDAE (Instituto para a Diversificação e Poupança de Energia). Os recursos vêm do programa BORALMAC, executado em duas rodadas resolvidas entre julho de 2024 e 2026, e abrangem novas centrais e o aproveitamento de reservatórios e infraestrutura existentes. A conclusão dos projetos está prevista para 2035; para a primeira rodada, emenda aprovada em janeiro de 2026 estendeu o prazo original.
A primeira rodada, resolvida em julho de 2024, concedeu integralmente os € 100 milhões disponíveis a quatro projetos com cerca de 2 GW e 28,85 GWh. O maior aporte, de € 44,9 milhões, foi para o projeto BOREAL, em Alcántara, Extremadura, destinado à nova central José María de Oriol II, acoplada aos reservatórios existentes de Alcántara II e Cedillo. Os demais selecionados foram Navaleo, em Torre del Bierzo (€ 35,3 milhões), e Velilla del Río Carrión, em Palencia (€ 10,7 milhões), ambos aproveitando água de drenagem de minas abandonadas, além do EcoEbre, em Tarragona (€ 9,1 milhões), para circuito fechado entre dois reservatórios. O prazo original desses projetos era o fim de 2030, mas emenda do IDAE de janeiro de 2026 levou o limite para 31 de dezembro de 2035.
A segunda rodada do BORALMAC tinha orçamento inicial de € 90 milhões e foi ampliada para € 165 milhões após 16 candidaturas somarem € 440 milhões em pedidos. Sete projetos foram selecionados, com 2,07 GW de potência e 21,09 GWh de armazenamento, diante de custos elegíveis superiores a € 755 milhões. A relação entre o subsídio concedido e os custos elegíveis é de cerca de 22%, o que indica a necessidade de capital privado para complementar as obras.
Entre os selecionados da segunda rodada, La Barca, nas Astúrias, tem o maior armazenamento individual (354 MW e 4,74 GWh), enquanto Baells, em Barcelona, lidera em potência (545 MW e 4,29 GWh). Os demais projetos são Meirama, na Corunha (440 MW / 3,52 GWh), Los Guajares, em Granada (357 MW / 2,97 GWh), Grandas de Salime, nas Astúrias (247 MW / 3,81 GWh), Dehesa de Ganaderos, em Saragoça (95 MW / 772 MWh) e TORREALII, em Cáceres (33 MW / 991 MWh). O TORREALII é o único da rodada que não prevê nova central, usando infraestrutura existente. Todos os sete devem ser concluídos até 30 de junho de 2035.
O IDAE informou que os projetos foram avaliados por viabilidade econômica, características técnicas, maturidade do licenciamento e capacidade de apoiar a integração de renováveis. Os critérios incluem a oferta de serviços de sistema, como inércia e black-start. Na primeira rodada, dois projetos usam água de drenagem de minas abandonadas; a segunda não repete esse modelo. Os 11 projetos estão distribuídos em sete comunidades autônomas.
O programa está vinculado ao Plano de Recuperação, Transformação e Resiliência da Espanha. A primeira rodada saiu do componente de infraestrutura elétrica, redes inteligentes, flexibilidade e armazenamento, e a segunda é financiada pelo componente REPowerEU. O desenho escalonado — € 100 milhões na primeira e € 165 milhões na segunda — indica a intenção de ampliar a flexibilidade do sistema, mas a alta demanda mostra que o recurso público não atende a todos os projetos viáveis. Para os proponentes, o subsídio reduz o custo de capital, mas não elimina o risco de execução, especialmente com prazos até 2035.
A incorporação de 49,9 GWh até 2035 reforça a capacidade de armazenamento de longa duração do sistema espanhol. A hidrelétrica reversível pode deslocar geração térmica em horas de ponta, amortecer a variabilidade renovável e prestar serviços de inércia e black-start. A combinação com outras tecnologias de armazenamento deve moldar o mix de flexibilidade nos próximos anos.
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