Especialistas globais descartam nuclear na Austrália por custo elevado e atrasos
Relatório da ETC afirma que energia nuclear não faz sentido econômico na Austrália, que deve priorizar renováveis. O estudo alerta que SMRs estão longe da escala e que a expansão nuclear não substitui a necessidade massiva de solar e eólica para a transição energética.

Um novo relatório da Energy Transitions Commission (ETC), divulgado pela RenewEconomy, conclui que a energia nuclear não possui viabilidade econômica para a Austrália, recomendando que o país foque em recursos renováveis de menor custo, como solar, eólica e baterias. O documento, elaborado por dezenas de especialistas globais, indica que tentar construir um sistema baseado em nuclear resultaria apenas em atrasos significativos e aumento de custos, desviando investimentos escassos de alternativas mais rápidas e eficientes financeiramente.
O estudo desmonta a narrativa de que reatores modulares pequenos (SMR) seriam uma solução imediata para a demanda de energia, especialmente com o crescimento de centros de dados de IA. Os SMRs permanecem a uma ou duas décadas de implantação em larga escala, com custos estimados nos EUA muito acima dos reatores grandes. Além disso, a dependência nuclear intensifica riscos geopolíticos, dada a concentração da cadeia de suprimentos, com a Rússia controlando 40% da capacidade de enriquecimento de urânio em 2025 e a fabricação de equipamentos restrita a apenas seis países.
Apesar do empenho de partidos conservadores australianos, como One Nation, Liberais e Nacionalistas, em legalizar a nuclear para desacelerar a transição renovável, operadores do mercado e instituições técnicas como a AEMO e a CSIRO reconhecem a inviabilidade da tecnologia no contexto local. O relatório enfatiza que a expansão nuclear global, mesmo que triplicada até 2050 para cerca de 1.500 GW, será insuficiente para atingir metas climáticas sem um investimento massivo anual de US$ 2,2 trilhões em renováveis, redes e armazenamento.
A análise destaca disparidades regionais nos custos: enquanto China, Coreia do Sul e Índia podem operar abaixo de US$ 50/MWh até 2035, no Reino Unido, EUA e França é improvável que os custos caiam abaixo de US$ 125/MWh. Mesmo com a expansão nuclear, a necessidade de construir 1.500 GW de eólica e solar por ano permanece inalterada para atingir as metas climáticas, reforçando que a nuclear tem um papel complementar e limitado, insuficiente como pilar central da descarbonização em países com abundância de recursos renováveis como a Austrália.
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