Margem de conexão para leilões de baterias chega a 56 GW, estima Absae
Cálculo da Absae a partir da Nota Técnica do ONS indica capacidade remanescente 5,6 a 12,5 vezes superior ao déficit projetado para 2028-2030. A distribuição regional e o alto volume de projetos cadastrados devem manter a competição acirrada, favorecendo o preço final.

A Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de Energia (Absae) estimou que a capacidade remanescente do Sistema Interligado Nacional (SIN) para conexão de baterias nos leilões de dezembro chega a cerca de 56 GW. O cálculo, baseado na Nota Técnica 0095/2026 do ONS, revela uma margem que supera em até 12,5 vezes o déficit de potência projetado para o período de 2028 a 2030, estimado entre 4,5 GW e 10 GW. Segundo a associação, essa disponibilidade reduz o risco de restrição generalizada de conexão, mantendo a competitividade de grande parte dos projetos cadastrados.
A distribuição da margem é estratégica para a competitividade: dos 129 barramentos bonificados pela Portaria MME nº 136/2026, 93 apresentam capacidade de conexão, com concentração no Nordeste, especialmente na Bahia, Piauí, Ceará e norte de Minas Gerais. Esses pontos recebem bonificação de 10% no preço de classificação, incentivando a instalação em locais que oferecem benefícios adicionais à rede, como estabilidade de tensão. A margem agregada nesses barramentos chega a 13,7 GW, enquanto os pontos não bonificados somam cerca de 36 GW, ampliando o conjunto de empreendimentos potencialmente habilitados a disputar os certames.
O volume de projetos inscritos reforça a expectativa de competição acirrada: a EPE registrou 6.091 projetos totalizando 296,8 GW de capacidade. A Absae avalia que, mesmo após a análise técnica e a aplicação das restrições de conexão, o número de projetos aptos continuará significativamente superior ao volume de potência a ser contratado. Para Fabio Lima, diretor-executivo da Absae, essa combinação tende a decidir a disputa por preço, favorecendo o consumidor final. A agenda oficial prevê os leilões para 2 e 4 de dezembro de 2026, com a EPE e o ONS devendo concluir a análise técnica dos projetos até lá.
Apesar da margem global confortável, existem pontos com restrições de espaço físico, curto-circuito ou cronograma de obras que impedem a conexão em locais específicos. Essa distribuição desigual pode criar assimetrias competitivas entre projetos em diferentes regiões, embora a Absae afirme que a margem agregada nos barramentos bonificados supera até a estimativa mais elevada de déficit. A disponibilidade de conexão será considerada na classificação dos projetos por barramento, subárea e área, conforme as regras dos leilões, o que exige atenção dos participantes à localização estratégica de seus empreendimentos para maximizar as chances de contratação.
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