Plano de Carvão para Data Centers na Austrália Pode Custar US$ 20 Bi aos Contribuintes
Estimativas associadas ao plano do LNP da Queensland para abastecer data centers com carvão indicam um custo fiscal de US$ 20 bilhões por instalação. A proposta ignora o excedente de projetos renováveis aprovados e enfrenta resistência da oposição federal, que prefere soluções de mercado aberto ou nuclear.
O primeiro-ministro de Queensland, David Crisafulli, e seu partido (LNP) enfrentam críticas por considerar o uso de novas usinas termelétricas a carvão para abastecer centros de dados de inteligência artificial, desviando-se da tendência global de energias limpas. Essa abordagem coloca o setor público em risco de arcar com os custos de infraestrutura, ignorando que a Austrália já possui 46.000 MW de projetos de energia renovável aprovados, capacidade que supera em três vezes a demanda projetada desses data centers.
Análises indicam que a construção de uma usina a carvão para atender à demanda de pico de 160 MW de um mega data center, como o proposto pela Anthropic em Dalby, poderia custar cerca de 15 bilhões de dólares aos contribuintes da Queensland. Somado a isso, a operação geraria aproximadamente 151 milhões de toneladas de CO2 ao longo de 20 anos. Com o preço atual de créditos de carbono em 38 dólares, isso implicaria um custo adicional de 5,7 bilhões de dólares para compensar essas emissões, elevando o impacto fiscal total para cerca de 20 bilhões de dólares.
Enquanto a Queensland debate o carvão, a oposição liberal-nacionalista, liderada pelo ministro federal Dan Tehan, resiste a regulamentações que obriguem os operadores a contratar energia renovável. Tehan sugere o uso de energia nuclear como alternativa, uma opção que enfrenta longos prazos de construção e custos históricos elevados, conforme visto em projetos recentes nos EUA e na Europa. A recusa em implementar obrigações legais claras de sustentabilidade cria um vácuo regulatório que favorece soluções caras e lentas.
A alternativa de gás natural também se mostra inviável devido à tensão no mercado da costa leste da Austrália, conforme alertado pela AEMO. Atender à demanda adicional exigiria mais de 250 petajoules por ano, metade da demanda atual da região, sem reservas comprovadas suficientes em bacias como a Beetaloo. O precedente em Virginia, EUA, onde a Dominion Energy alertou que as tarifas residenciais podem dobrar até 2039 devido aos custos fixos da expansão para data centers, ilustra o risco de rateio generalizado dos custos.
A escolha por carvão ou nuclear aumenta a dependência de subsídios públicos e atrasa a transição energética, agravando o custo fiscal nacional. A oposição prefere deixar a decisão para os desenvolvedores, sem obrigações legais de sustentabilidade, o que pode levar a um cenário onde a infraestrutura é paga via tarifas gerais, subsidiando os data centers com dinheiro público. Especialistas alertam para o risco de quebrar o sistema energético ao priorizar interesses de curto prazo em detrimento da estabilidade tarifária e ambiental.
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