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AnáliseProjetos

RWE aprova FID para BESS de 1,1 GWh na Holanda focado em alívio de congestionamento

A RWE tomou a decisão de investimento final para construir um sistema de armazenamento de 400 MW/1,1 GWh em Moerdijk, Holanda. O projeto, com 208 contêineres, visa aliviar o congestionamento da rede na região de Noord-Brabant e integrar a energia eólica offshore, com operação prevista para 2028.

21 de setembro de 2026 às 09:47Fonte oficial: ESS NewsRedação Battery Channel

A RWE oficializou a decisão de investimento final (FID) para a construção de um sistema de armazenamento de energia em baterias (BESS) de grande escala na Holanda. O projeto, localizado no site da usina de Moerdijk, ao sul de Roterdã, terá capacidade de 400 MW e 1,1 GWh, utilizando 208 contêineres de íon-lítio com duração de 2,75 horas. Esta instalação representa um salto significativo em comparação com a antiga bateria de inércia sintética de 7,5 MW/11 MWh que já operava no local, marcando uma ampliação de 100 vezes na capacidade de armazenamento disponível na infraestrutura existente.

A estratégia central do projeto é o alívio do congestionamento na rede elétrica, um dos maiores desafios enfrentados pelo operador de transmissão TenneT. Por meio de acordos de regulação de capacidade, a bateria será despachada especificamente para liberar espaço na rede para novos consumidores que estão na lista de espera. Essa abordagem difere de projetos que apenas adicionam carga às subestações já estressadas; em vez disso, o BESS atua como um flexor de rede, otimizando o uso da infraestrutura de 150 kV em Moerdijk-Noord e impactando positivamente a gestão de congestionamentos em toda a província de Noord-Brabant.

A integração com fontes renováveis é outro pilar estratégico da iniciativa. A proximidade do projeto com o empreendimento eólico offshore de 795 MW, desenvolvido em parceria com a TotalEnergies, permite que o sistema de armazenamento capture e redespache energia quando a geração eólica é alta. Essa sinergia é crucial para mitigar o curtailment e garantir a estabilidade da rede. O sistema também estará equipado com inversores grid-forming, capazes de fornecer serviços avançados de rede, como reserva instantânea e inércia sintética, complementando as funções que a instalação anterior já desempenhava na rede continental europeia.

Do ponto de vista técnico e logístico, a RWE aproveitará a infraestrutura existente da subestação de Moerdijk-Noord para minimizar novos impactos ambientais e de conexão. A construção está programada para iniciar em breve, com a colocação em operação (commissioning) prevista para o segundo trimestre de 2028. A configuração de 208 contêineres sugere uma média de aproximadamente 1,92 MW e 5,29 MWh por unidade, indicando uma arquitetura modular que facilita a instalação e a manutenção futura, além de permitir uma resposta rápida às variações de demanda e geração na região.

O contexto regulatório e de mercado na Holanda é marcado por uma escassez extrema de conexões à rede, com a TenneT enfrentando um backlog significativo devido ao congestionamento do sistema. Neste cenário, a TenneT e a Enexis, operadora regional de distribuição, investigarão o impacto específico do novo BESS na gestão de congestionamentos. O projeto será considerado na revisão do estudo de gestão de congestionamentos prevista para dezembro de 2026, o que demonstra a importância estratégica da iniciativa para o planejamento de longo prazo da rede elétrica holandesa e a criação de espaço para novos atores no mercado de energia.

A decisão da RWE ocorre em um momento de transformação no setor de armazenamento, onde a capacidade de fornecer serviços de rede é tão valiosa quanto o armazenamento de energia em si. A empresa destaca que a bateria contribuirá para um uso mais eficiente da rede elétrica na região de West Brabant. Mark Lentjes, Diretor Regional da TenneT para o Sul da Holanda, elogiou a iniciativa, ressaltando que a localização próxima à subestação de alta tensão é ideal para aliviar o gargalo regional. Essa colaboração entre o gerador e o operador de rede seta um precedente importante para projetos de BESS que priorizam a flexibilidade do sistema sobre a simples injeção de energia.

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