DNV projeta solar como maior fonte de energia global em 2031, mas alerta para gargalos de rede
Relatório da DNV indica que a solar PV liderará a matriz elétrica mundial a partir de 2031, impulsionada por segurança energética. Contudo, adições anuais devem estabilizar após 2026 devido a restrições de rede, exigindo integração massiva com armazenamento de baterias para viabilizar novos investimentos e garantir flexibilidade do sistema.

Segundo o Energy Transition Outlook 2026 da DNV, a energia solar fotovoltaica deixará de ser a segunda maior fonte para se tornar a principal contribuidora global ao mix elétrico a partir de 2031, marcando uma virada estrutural na matriz energética mundial. A capacidade instalada global, que está em 2,6 terawatts em 2025, deve duplicar para cerca de 5,2 TW até 2030 e atingir 28,1 TW em 2060. Esse crescimento consolida a tecnologia como pilar da geração futura, embora a DNV projete que as adições anuais de nova capacidade atinjam seu pico em 2026 e, subsequentemente, se estabilizem.
A estabilização das adições anuais revela um limite técnico imediato: os gargalos não estão mais na oferta de módulos, mas na capacidade da rede elétrica de absorver a geração intermitente, especialmente nos maiores mercados, Europa e Grande China. Devido ao curtailment significativo nessas regiões, a viabilidade de novos projetos dependerá cada vez mais da integração híbrida. A parcela de instalações solares co-localizadas com baterias na Europa deve saltar de 25% em 2024 para 40% em 2035, tendência similar na China, indicando que a flexibilidade do sistema se tornou um pré-requisito crítico.
A segurança energética emergiu como o motor central dessa expansão, com países importadores de energia, como Europa, China e Índia, acelerando a transição três vezes mais rápido que os exportadores para reduzir a dependência de combustíveis fósseis voláteis. Essa dinâmica geopolítica cria uma transição assimétrica, ampliando a divergência na velocidade da descarbonização global. Enquanto os importadores buscam soberania energética através de fontes domésticas, o armazenamento de energia registrou o crescimento mais acelerado da década, com adições anuais crescendo 25 vezes entre 2020 e 2026.
Os investimentos anuais em solar PV mais que dobrarão nos próximos dez anos, passando de US$ 240 bilhões por ano (média 2016-2025) para US$ 600 bilhões no período 2026-2035, refletindo um fluxo de capital direcionado a sistemas integrados. No entanto, a análise setorial aponta que a viabilidade econômica exige a otimização do valor temporal da eletricidade. Projetos puros de solar podem enfrentar margens apertadas sem o componente de armazenamento, que permite deslocar a geração para horários de pico.
A necessidade de co-locar baterias redefine o modelo de negócio do setor, beneficiando investidores em sistemas integrados. A demanda global de eletricidade deve aumentar 2,5 vezes até 2060, pressionando a infraestrutura existente a evoluir rapidamente para evitar desperdício de ativos. A estabilidade do sistema elétrico global será testada pela intermitência combinada de solar e eólica sem a devida flexibilidade, tornando a gestão de curtailment e os investimentos em transmissão prioritários para a União Europeia e outros blocos.
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