El Niño divide a irradiação solar na América do Sul: chuva recorde no Sudeste do Brasil
Relatório da Solcast, empresa da DNV, indica que o fortalecimento do El Niño reduziu a irradiação em até 24% no Sudeste do Brasil em setembro, com recorde de chuvas. Enquanto isso, o norte do continente foi mais ensolarado. O fenômeno deve persistir até 2027.
Segundo análise da Solcast, empresa da DNV, o El Niño intensificou padrões climáticos opostos na América do Sul em setembro. O Sudeste do Brasil registrou irradiação 20% a 24% abaixo da normal de 2007-2025, impulsionado por nuvens persistentes e chuvas recorde, especialmente em São Paulo e Rio de Janeiro. O Rio de Janeiro teve seu setembro mais chuvoso desde 1997, impactando diretamente a geração solar na região que concentra os maiores ativos do país.
Em contraste, o norte da América do Sul apresentou condições mais ensolaradas, com alguns locais no Equador registrando irradiação 20% acima da média. A Patagônia e Terra do Fogo também sofreram déficits significativos, cerca de 19% abaixo da normal. A NOAA prevê 80% de chance de o El Niño permanecer forte até o início de 2027, sugerindo que a variabilidade na geração renovável continuará sendo um desafio operacional para o setor energético na região.
A chuva e as nuvens suprimiram diretamente a irradiância, um padrão consistente com a Zona de Convergência do Atlântico Sul. Embora o El Niño seja um driver climático importante, a Solcast ressalta que a atribuição direta exige cautela, pois outros fatores atmosféricos interagem. A empresa utiliza dados de satélite e IA para rastrear nuvens, fornecendo precisão crucial para a gestão de ativos solares em um cenário de clima volátil.
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