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EUA batem recorde de 18,9 GWh em armazenamento no 2º tri, com foco em baterias de longa duração

Instalações de energia nos EUA cresceram 16% em capacidade, mas caíram 7% em potência, refletindo a migração para sistemas de 4h+. A Wood Mackenzie projeta 207 GW até 2031, impulsionada por data centers e ITC.

1 de outubro de 2026 às 05:24Fonte oficial: ESS NewsRedação Battery Channel
EUA batem recorde de 18,9 GWh em armazenamento no 2º tri, com foco em baterias de longa duração
Foto: ESS News

O mercado de armazenamento de energia dos Estados Unidos estabeleceu um novo recorde histórico no segundo trimestre de 2026, com 18,9 GWh de capacidade energética instalada. Esse avanço, reportado pela Wood Mackenzie e pela American Clean Power Association, ocorre em um cenário de inversão de tendência: a capacidade de potência caiu 7% ano a ano, atingindo 5,4 GW. A discrepância entre o crescimento de energia e a queda de potência revela uma mudança estrutural na indústria, que migra para baterias de maior duração para atender às exigências de adequação das redes elétricas.

O segmento de escala utilitária foi o principal motor desse crescimento, implantando 4,7 GW e 17,6 GWh no período. Embora a potência tenha recuado 8% devido à saturação das redes locais em mercados como Califórnia e Texas, a capacidade energética subiu 16%. Essa dinâmica é impulsionada pela preferência por sistemas de quatro horas ou mais, que garantem estabilidade frente à variabilidade das fontes renováveis e atendem às necessidades de longa duração exigidas pelas utilidades para gerenciar restrições localizadas de rede.

No segmento residencial, o trimestre foi marcado por um salto de 48% na capacidade energética, chegando a 1,2 GWh, enquanto a potência cresceu apenas 3%, totalizando 676 MW. Esse aumento na energia instalada por domicílio reflete a adoção de baterias maiores e mais eficientes. Estados como Califórnia, Texas, Porto Rico, Arizona e Illinois concentraram a maior parte das instalações, apesar de analistas projetarem uma leve contração anual para 2026 devido a ajustes de políticas e ao recuo de incentivos fiscais.

A Wood Mackenzie retirou sua previsão anterior de contração de mercado no curto prazo, apontando o alto volume de projetos que iniciaram construção para garantir o status de 'safe harbor' do Crédito Fiscal de Investimento (ITC). Essa estratégia regulatória é determinante para a continuidade do pipeline, pois assegura a elegibilidade fiscal dos projetos. A segurança jurídica dos incentivos está, portanto, acelerando o início das obras e mantendo o ritmo de expansão do mercado de armazenamento de energia nos Estados Unidos.

Para os próximos cinco anos, a projeção da Wood Mackenzie indica um crescimento superior a 50% em termos de megawatts, expandindo a capacidade acumulada para 207 GW e 715 GWh até 2031. Esse cenário otimista é sustentado pela expansão massiva da carga elétrica vinda de data centers de inteligência artificial e pelos desenvolvimentos de interconexão de rede. A demanda por armazenamento de longa duração está redefinindo os requisitos de adequação e os contratos de compra, favorecendo sistemas que garantam estabilidade frente ao pico de demanda industrial e à variabilidade das fontes renováveis.

O segmento comercial e industrial (C&I) apresentou volatilidade, recuando para 48 MW/103 MWh no segundo trimestre após um pico no primeiro, impulsionado por prazos de net metering na Califórnia. Enquanto o C&I oscila com prazos específicos de política, o segmento utilitário exibe uma tendência mais estável de crescimento em capacidade energética, sustentada por necessidades estruturais de rede e demanda industrial. Essa divergência destaca a importância de políticas de longo prazo para garantir a previsibilidade e o investimento contínuo no setor de armazenamento de energia.

A migração para baterias de longa duração não é apenas uma resposta técnica, mas uma adaptação estratégica às novas realidades do mercado elétrico. A expansão dos data centers de IA e a necessidade de gerenciar picos de demanda industrial estão criando um ambiente onde a capacidade energética é mais valorizada do que a potência instantânea. Essa mudança está redefinindo os contratos de compra e os requisitos de adequação, com impactos diretos na cadeia de suprimentos e na estratégia de desenvolvimento de projetos em todo o mundo.

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