EUA: Solar residencial mantém demanda sem ITC, impulsionada por tarifas e financiamento
Relatório da EnergySage indica que a demanda por energia solar nos EUA se mantém forte após a expiração do ITC. O aumento nas tarifas de eletricidade e a expansão de modelos de financiamento, como PPAs, sustentam o interesse dos consumidores, enquanto a adoção de baterias atinge recorde de intenção, mas enfrenta barreiras de custo.

Apesar da expiração do Crédito Fiscal de Investimento (ITC) de 30% para sistemas residenciais, o mercado solar dos Estados Unidos demonstra resiliência. O 23º relatório EnergySage Intel, baseado em milhões de transações entre janeiro e junho de 2026, indica que os proprietários de imóveis continuam buscando economia. A mudança nas estruturas tarifárias das empresas de utilidade, com a implementação de taxas fixas e tarifas de uso horário, tornou a geração própria mais atrativa, mantendo a economia como o principal driver de compra para 70% dos clientes, segundo instaladores.
A acessibilidade financeira tem sido a chave para mitigar o impacto da perda do incentivo federal. A participação de instaladores oferecendo modelos de Terceira Parte de Propriedade (TPO) na plataforma EnergySage saltou de 14% para 41% em seis meses. Em mercados de alto custo, como Califórnia e Illinois, os Power Purchase Agreements (PPA) apresentaram descontos de 59% e 55% em relação às tarifas da rede, respectivamente. Essa estratégia de financiamento atua como uma ponte de acessibilidade, permitindo que os consumidores acessem a tecnologia sem o peso do custo inicial elevado que o ITC ajudava a reduzir.
O armazenamento de energia em baterias registra o maior interesse da história, com 76% dos consumidores expressando desejo de adotar a tecnologia no primeiro semestre de 2026. No entanto, a taxa de conversão real (attachment rate) permanece em 31%, evidenciando uma lacuna significativa de acessibilidade. O custo inicial elevado continua sendo a principal barreira, impedindo que o alto nível de interesse se traduza em adoção em larga escala. A indústria reconhece que, com o aumento contínuo das tarifas de eletricidade, a bateria está se tornando uma necessidade, mas ainda precisa superar os desafios de preço para o consumidor final.
Os preços médios dos sistemas solares subiram 3% e os de armazenamento, 5%, entre o segundo semestre de 2025 e o primeiro de 2026. Contudo, o preço máximo cotado caiu de US$ 3,07/W para US$ 2,94/W, sugerindo que instaladores que mantiveram margens elevadas durante a corrida pelo ITC estão ajustando suas estratégias. O aumento nos pacotes com bateria é atribuído principalmente ao custo de mão de obra e à complexidade da instalação, e não ao preço dos equipamentos. A indústria agora foca em reduzir custos operacionais e educar o mercado sobre como novas estruturas tarifárias tornam a combinação solar-bateria essencial para a economia doméstica.
A transição do mercado para um modelo sem incentivos fiscais diretos exige adaptação rápida dos fornecedores. A combinação de tarifas de eletricidade em alta e a expansão de opções de financiamento está redefinindo a proposta de valor do solar residencial. Para os stakeholders do setor, o desafio agora é converter o interesse recorde em armazenamento em instalações efetivas, simplificando modelos de crédito e otimizando a eficiência das instalações. A resiliência da demanda, mesmo sem o ITC, sinaliza que a economia de longo prazo e a independência energética permanecem como pilares centrais da decisão de compra do consumidor americano.
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