Força de trabalho solar na UE deve cair 12% até 2030 com maturidade do mercado
Relatório projeta redução de 874 mil para 766 mil ETP na Europa. A queda na instalação é compensada pelo crescimento em O&M e reciclagem, refletindo a transição do setor para a gestão de ativos maduros e maior produtividade.

O EU Solar Jobs Report 2026, da SolarPower Europe, projeta que a força de trabalho solar na União Europeia recuará 12% até 2030, caindo de 874 mil para 766 mil equivalentes tempo integral. Essa redução não indica recessão setorial, mas sim uma maturidade estrutural: o crescimento anual de novos gigawatts estagna, enquanto ganhos de produtividade diminuem a necessidade de mão de obra por MW instalado. O setor solar ainda cresceu 1% em 2025, o dobro da média da UE, mas a dinâmica muda da expansão bruta para a eficiência operacional.
A contração de 22% nos empregos de instalação será parcialmente equilibrada pela expansão em operação e manutenção (O&M), que deve subir de 78 mil para 109 mil postos, e na reciclagem, que quase dobra para 30 mil ETP. Com a capacidade acumulada saltando de 411 GW para 739 GW, a gestão contínua dos ativos torna-se central. A manufatura local também deve crescer para 49 mil empregos, desde que os projetos industriais anunciados sejam entregues, alinhando-se ao Net-Zero Industry Act e à diretiva WEEE.
Geograficamente, a Alemanha mantém a liderança em empregos diretos, mas a Itália deve ultrapassar a Espanha em volume total até 2030, impulsionada por um crescimento projetado de 24%. A Espanha vê sua participação cair de 165 mil para 102 mil ETP, refletindo a mudança de foco. Mercados com forte presença de energia solar em telhados, como Alemanha e França, tendem a reter mais empregos locais comparados aos focados apenas em grandes usinas, redistribuindo o impacto econômico do setor pela região.
Para empresas, a escassez de mão de obra qualificada para O&M pressiona os custos operacionais, exigindo requalificação digital e padronização para manter margens. O relatório destaca sete prioridades, incluindo a modernização do treinamento e o acesso a fundos para PMEs. A implementação do Plano de Ação de Eletrificação e os requisitos da Diretiva RED III serão decisivos para reter talentos, evitando que a queda na construção gere desemprego estrutural em regiões dependentes de novos projetos solares.
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