Geely diz que recarga com IA restaura dano e amplia vida útil da bateria em até 20%
Sistema de 2,25 MW usa micro-pulsos para reativar íons de lítio acumulados no ânodo, segundo a montadora; em testes, carregou de 10% a 70% em 4min30s.

Geely Auto Group anunciou em 25 de setembro a quinta geração de sua estação de recarga inteligente, com potência de pico de 2.250 kW, e a promessa de usar inteligência artificial para 'curar' parte do desgaste causado pelo carregamento rápido. Segundo a montadora, a tecnologia de 'restauração por pulsos de íons de lítio' envia micro-pulsos para reativar íons que se acumulam no ânodo durante recargas sucessivas, ampliando a vida útil do ciclo em até 20%. O dado, porém, é informado pela própria empresa, sem validação independente e deve ser tratado como melhor caso.
Os números de recarga são o destaque imediato: em testes com a bateria usada no Lynk & Co 10 e no Zeekr 001, a estação levou a carga de 10% a 70% em 4min30s e de 10% a 97% em 8min40s. Nos números divulgados, supera a BYD, cuja rede Flash Charging de 1.500 kW, já com mais de 10 mil estações, faz 10% a 70% em 5min e 10% a 97% em 9min. A Geely também apresentou duas baterias: a Shendun Golden, com pico de 12C, e a Ultra Short Blade, de 6C, voltada a modelos mais acessíveis e com 10% menos geração de calor.
O cérebro do sistema é o Xingrui PowerMind, modelo de IA desenvolvido com a startup chinesa StepFun. Em vez de reduzir a potência apenas quando a bateria já está quente, como fazem os EVs atuais, o sistema prevê a trajetória térmica com até 30 segundos de antecedência e ajusta a corrente antes do pico. As metas são manter temperatura média de 55°C e pico abaixo de 65°C. Para viabilizar 2,25 MW, a estação usa resfriamento líquido em cinco pontos: bateria de armazenamento, carregador, cabo, porta de conexão e bateria do veículo.
A abordagem contrasta com a estratégia de outras montadoras: desde 2017, a Tesla limita a velocidade de Superchargers em baterias submetidas a muitas recargas rápidas para protegê-las, em vez de tentar reverter o dano. O acúmulo de lítio no ânodo é a principal causa de degradação em células recarregadas agressivamente, e a corrida chinesa por carregamento ultrarrápido intensifica o problema. Não há ainda validação independente publicada para o ganho de 20%, que segue como melhor caso informado pela montadora.
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