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InoBat divulga prejuízo de €17,5 milhões e confirma 20% em fábrica da Gotion

A InoBat divulgou receita de €32,6 milhões em 2025, ante €6,5 milhões em 2024, e prejuízo líquido de €17,5 milhões, conforme Form F-4 na SEC. Documento confirma 20% na fábrica de células LFP de 20 GWh da Gotion na Eslováquia, com produção prevista para 2027.

29 de setembro de 2026 às 09:27Fonte oficial: ESS NewsRedação Battery Channel
InoBat divulga prejuízo de €17,5 milhões e confirma 20% em fábrica da Gotion
Foto: ESS News

A InoBat, integradora eslovaca de sistemas de armazenamento, divulgou no prospecto para listagem na Nasdaq receita de €32,6 milhões em 2025, multiplicando por cinco os €6,5 milhões de 2024, mas ainda registrou prejuízo líquido de €17,5 milhões. O documento, um Form F-4 protocolado na SEC em 24 de setembro, confirma também que a companhia detém 20% da GIB EnergyX Slovakia, joint venture com a Gotion High-Tech (80%) para construir fábrica de células LFP de 20 GWh em Šurany, com meta de início de produção em 2027. A participação minoritária dá à InoBat acesso potencial a células locais para seus sistemas BESSMONT.

O Ebitda ajustado ficou positivo em €3,8 milhões, um sinal de que a operação principal já cobre custos antes de juros, impostos, depreciação e amortização. Ainda assim, o prejuízo após impostos de €17,5 milhões, embora menor que os €24,0 milhões de 2024, indica que despesas financeiras e itens não recorrentes seguem pesando. A receita reflete a expansão da montagem de sistemas BESSMONT, enquanto a fábrica de Voderady, de módulos, packs e containers com capacidade anual de 5 GWh, está em construção — o que sinaliza investimento para escalar a integração de sistemas, e não apenas a revenda de equipamentos.

A fábrica de Šurany será controlada pela Gotion (80%), com a InoBat como sócia minoritária. Para a InoBat, ter 20% de uma planta local de LFP pode assegurar fornecimento de células para seus sistemas, reduzindo a exposição a importações diretas da China, embora o controle permaneça com a parceira chinesa. Essa dependência é um risco estratégico, sobretudo em um momento em que a União Europeia busca soberania na cadeia de baterias após o colapso da Northvolt, mas também uma fonte potencial de células competitivas para armazenamento estacionário.

O negócio com a Cartesian Growth Corp II, SPAC afiliada à Cartesian Capital Group, avalia a InoBat em US$ 1,265 bilhão antes da fusão, incluindo contrapartidas por marcos estratégicos e financeiros. Inclui US$ 77,5 milhões em capital novo comprometido por investidores institucionais e acionistas atuais, mas sem cláusula de caixa mínimo. Como o trust do SPAC tinha cerca de US$ 6,0 milhões em 31 de agosto, o fechamento depende de que os compromissos sejam honrados e de resgates limitados pelos cotistas do SPAC. A estrutura transfere parte do risco para os novos investidores, que precisam aportar mesmo que os acionistas do SPAC resgatem em massa.

Além da Gotion, a InoBat tem como acionistas estratégicos Rio Tinto, Amara Raja Energy & Mobility e Slovak Investment Holding, o que pode dar musculatura financeira e de fornecimento. A companhia trabalha com a Analog Devices para integrar BMS, EMS e SCADA de fabricantes ocidentais em seus produtos, e seu programa de íons de sódio, em desenvolvimento conjunto com Clarios e Altris, mira aplicações automotivas de baixa tensão, com possível extensão para armazenamento estacionário. Essa diversificação tecnológica reduz a dependência exclusiva da química LFP e abre alternativas para nichos de mercado onde o sódio pode ser competitivo.

O movimento ocorre após a quebra da Northvolt, na Suécia, em março de 2025, e da norueguesa Morrow Batteries, em maio de 2026, que não conseguiu financiamento adicional. A InoBat se posiciona como integradora de sistemas, não como fabricante pura de células, com a planta de Voderady de 5 GWh para montagem de módulos, packs e containers — uma estratégia que exige menos capital do que a produção química de eletrodos e pode ser mais resiliente. O modelo, porém, depende do sucesso da fábrica da Gotion para ter células locais a preço competitivo, uma condição que o prospecto não garante.

A dependência da Gotion para células LFP segue como risco estratégico a ser monitorado. A companhia precisa provar que consegue converter o crescimento de receita em lucro, enquanto os investidores comprometidos precisam aportar os US$ 77,5 milhões em um veículo SPAC com trust de apenas US$ 6 milhões.

A listagem depende agora de a SEC declarar efetivo o registro, após o que a InoBat N.V. passará a negociar na Nasdaq sob o ticker INBT. Para investidores e clientes do setor, os pontos de atenção são o sucesso da fábrica de Šurany e a capacidade de a InoBat executar a integração de sistemas com margens positivas, em meio a um cenário de consolidação e falências na Europa. O desfecho do SPAC, sem piso de caixa, pode ser um teste relevante do apetite do mercado por uma integradora de BESS com participação minoritária em células.

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