Ministra de Victoria rejeita gás e nuclear e avança com tecnologia grid-forming no Marinus Link
Jaclyn Symes, nova ministra de energia de Victoria, confirma a continuidade da política de renováveis e inicia a construção da estação Hazelwood North. O projeto usa tecnologia Hitachi para estabilidade de rede, apesar do custo subir para AUD 3,5 bilhões e a oposição criticar a estratégia.
A nova ministra de energia de Victoria, Jaclyn Symes, assumiu a pasta menos de quatro meses antes das eleições estaduais e já definiu o tom da gestão: rejeição frontal às propostas da oposição de introduzir gás natural ou energia nuclear no mix energético. Em visita ao Vale de Latrobe, Symes classificou essas alternativas como 'fantasia' e alertou que tentar vender suprimentos de gás inexistentes ou soluções nucleares rápidas é brincar com as comunidades. Ela reforçou que o fechamento das usinas a carvão restantes é indiscutível e que a segurança energética depende de manter o curso na transição renovável, seguindo a linha da ex-ministra Lily D’Ambrosio.
O marco central dessa estratégia é o início da construção da Estação Conversora Hazelwood North, parte do projeto Marinus Link, que conectará a rede de Victoria à da Tasmânia. O empreendimento enfrentou controvérsias financeiras, com o custo disparando de AUD 1,3 bilhão para mais de AUD 3,5 bilhões e o escopo sendo reduzido de dois cabos para um único cabo de 750 MW na primeira fase. Apesar do aumento de custos, o governo defende que a infraestrutura é vital para garantir que as luzes se mantenham acesas e as tarifas acessíveis, substituindo a geração térmica local por transmissão de energia renovável firme e criando centenas de empregos na região.
Tecnicamente, o projeto representa um teste piloto global raro, utilizando tecnologia grid-forming HVDC fornecida pela Hitachi. Diferente de sistemas tradicionais que dependem da inércia de turbinas a carvão (efeito volante), esta configuração permite que ambas as extremidades do interconector gerem a forma de onda da rede, garantindo estabilidade em cenários de alta penetração renovável. A estação abrigará quatro transformadores de 330 toneladas e válvulas de 11 metros, sendo apenas um de cerca de cinco projetos similares no mundo, nenhum deles concluído. Isso posiciona Victoria na vanguarda da validação prática de redes sem inércia térmica, um precedente crucial para o setor.
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