Modelagem aponta que cancelamento do VNI West eleva preços e uso de gás em Vitória
Estudo da ITK indica que, sem o interconector VNI West, Vitória terá preços 11-13% mais altos após saída do carvão marrom. A modelagem prevê substituição de 2 GW de eólica por 1,25 GW a gás, aumentando a volatilidade e o congestionamento na fronteira com Nova Gales do Sul.

A modelagem da ITK Research, utilizando a ferramenta Vertex, projeta que a ausência do projeto VNI West resultará em um mix de geração mais caro e poluente em Vitória. No cenário sem o interconector, estima-se uma redução de 2 GW na capacidade eólica construída e um aumento de até 1,25 GW na geração a gás natural. Essa substituição ocorre porque o sistema local, isolado de fluxos adicionais, necessita de firmeza que só o gás supre na simulação, alterando estruturalmente a matriz para fontes menos eficientes economicamente no longo prazo.
Os impactos financeiros para os consumidores são significativos após a saída das usinas a carvão marrom Loy Yang. Os preços atacadistas em Vitória estariam entre A$ 16 e A$ 18/MWh mais altos, representando um aumento de 11% a 13% em relação ao cenário com o projeto. Considerando que o custo rateado do VNI West adiciona apenas A$ 2-4/MWh às contas, o cancelamento geraria um prejuízo líquido estimado de A$ 12-14/MWh, invalidando a tese de economia imediata e elevando a volatilidade do mercado regional.
A restrição do interconector Basslink entre setembro de 2025 e junho de 2026 serviu como um experimento natural validando a importância da transmissão. A correlação de preços entre Tasmânia e Vitória caiu de 0,8 para 0,28 durante a interrupção, retornando a 0,83 com a normalização. Esse dado histórico reforça que a interconexão reduz a volatilidade e sincroniza os mercados; sem o VNI West, o interconector existente com Nova Gales do Sul atingiria seu limite 50% do tempo, contra apenas 17% com o novo projeto.
O contexto político em Vitória adiciona risco agudo ao cenário, com a Coalizão Liberal-Nacional prometendo cancelar o VNI West caso seja eleita nas eleições de novembro de 2026. O projeto já passou pelo teste regulatório RIT-T em 2023 e está na fase de declaração de efeitos ambientais, o que cria insegurança jurídica. A transferência da responsabilidade pela transmissão para a VicGrid Body Corporate em novembro de 2025 coincide com essa disputa, enquanto a AEMO defende a infraestrutura para a confiabilidade do sistema.
As limitações da modelagem incluem representações simplificadas de restrições de rede e suposições de paridade de importação de GNL para o custo do gás, sem limitar o suprimento. Além disso, não há consideração de mudanças nos fluxos do Project EnergyConnect ou aumentos de capacidade em outras zonas renováveis. Ainda assim, a análise sugere que o isolamento de Vitória elevaria os custos sistêmicos, beneficiando setores de gás em detrimento da eficiência nacional e da transição energética planejada pela AEMO.
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