Snowy Hydro pede AUD 10 bi sem divulgar VPL, adiando operação para 2029
A Snowy Hydro solicita aporte governamental de mais de AUD 10 bilhões até meados de 2027 para o projeto Snowy 2.0, com custos elevados para até AUD 25 bilhões. O CEO Dennis Barnes justificou a ausência de um novo Valor Presente Líquido (VPL) pela volatilidade do mercado e pela confidencialidade do aconselhamento ao governo, enquanto senadoras alertam para a falta de transparência na viabilidade econômica do ativo.

A Snowy Hydro confirmou a necessidade de um aporte adicional de mais de AUD 10 bilhões até meados de 2027 para sustentar o projeto Snowy 2.0, cuja entrada em operação foi adiada para outubro de 2029. O CEO Dennis Barnes informou ao Senado que a decisão sobre a estrutura desse financiamento — seja via injeção de equity, empréstimo soberano ou dívida comercial — caberá ao governo Albanese. Essa solicitação ocorre após uma revisão de custos que elevou a estimativa de construção para uma faixa entre AUD 22 bilhões e AUD 25 bilhões, um salto drástico em relação à previsão inicial de AUD 2 bilhões lançada em 2017.
Um ponto crítico de tensão é a não divulgação de um novo caso de negócios ou cálculo do Valor Presente Líquido (VPL) atualizado. Barnes argumentou que um único número seria enganoso devido à incerteza do custo de capital e à projeção de mercado para um ativo de vida útil de 150 anos. Além disso, ele afirmou que o aconselhamento detalhado fornecido ao governo é um documento confidencial, cuja divulgação pública poderia comprometer a delicada negociação com o governo, impedindo assim a liberação dos dados brutos da revisão.
Críticos do setor, incluindo a senadora Sarah Henderson, alertam que a ausência do VPL sugere fortemente que o retorno econômico atual é incerto, especialmente considerando a complexidade das projeções de receita. O atraso de um ano na operação retira do mercado australiano uma capacidade crucial de armazenamento de longa duração, mantendo a volatilidade dos preços spot durante eventos de escassez. O caso estabelece um precedente preocupante de dependência fiscal contínua e opacidade na gestão de grandes infraestruturas energéticas estatais.
A situação coloca o governo australiano sob pressão para definir a tolerância ao risco fiscal até meados de 2027, sem acesso público aos modelos financeiros internos da Snowy Hydro. Enquanto a corporação busca proteger sua estrutura de capital alegando que o projeto fortalece a resiliência do grid e reduz o custo agregado de capital, o contribuinte assume o ônus de um investimento cujos benefícios econômicos não foram quantificados publicamente. A decisão final impactará não apenas as contas públicas, mas também a percepção global de risco para projetos de hidrelétricas bombeadas de grande escala.
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