Startup italiana valida módulo PVT híbrido com eficiência global de 66,8% em testes
A Syntropia apresentou o DuoSolis, um módulo fotovoltaico-térmico que combina células TOPCon de 535 W com recuperação de calor, atingindo eficiência combinada de 66,8%. O sistema promete otimizar o uso de telhados ao gerar eletricidade e água quente simultaneamente, embora a complexidade instaladora e a falta de monetização térmica na ANEEL sejam desafios para o mercado brasileiro.

A startup italiana Syntropia validou, em testes de laboratório realizados em junho de 2026, o módulo híbrido PVT DuoSolis, que alcançou uma eficiência energética global combinada de 66,8%. O dispositivo integra células fotovoltaicas TOPCon de 535 W com um absorvedor térmico de alumínio com microcanais, capaz de recuperar calor residual não convertido em eletricidade. Durante os ensaios, o módulo gerou 3,91 kWh de eletricidade e recuperou 9,07 kWh de energia térmica, elevando a temperatura de um reservatório de 200 litros de 35°C para 73°C. A eficiência elétrica integrada foi de 20,1%, enquanto a térmica atingiu 46,7%, demonstrando a viabilidade técnica de aproveitar a radiação solar de forma mais completa do que os painéis convencionais.
O diferencial técnico reside no resfriamento ativo das células solares, que mitigam as perdas de eficiência térmica típicas em dias quentes. Em comparação direta com um módulo fotovoltaico padrão sob as mesmas condições de irradiação, o DuoSolis apresentou um ganho de produção elétrica de 3,1%, equivalente a 117 Wh adicionais por dia. Embora esse percentual seja inferior aos 4% registrados em protótipos de 2019, a melhoria deve-se ao avanço da linha de base dos painéis de referência, enquanto a robustez térmica do sistema foi consolidada. O uso de vidro de baixa emissividade e isolamento traseiro contribuiu para manter a estabilidade do desempenho, validando a maturação da tecnologia ao longo dos últimos anos.
No entanto, a adoção dessa tecnologia no mercado brasileiro enfrenta barreiras regulatórias e técnicas significativas. Sob a Resolução Normativa 1000/2021 da ANEEL, apenas a geração elétrica conta para a compensação de créditos de energia; a energia térmica recuperada não é monetizada pela distribuidora, sendo considerada autoconsumo direto. Isso significa que o retorno sobre o investimento depende estritamente da economia no aquecimento de água ou no acionamento de bombas de calor, sem escalabilidade via mercado de energia. Além disso, a instalação exige infraestrutura hidráulica integrada e certificação INMETRO, aumentando a complexidade e o custo inicial comparado à instalação de painéis solares padrão, o que restringe o produto principalmente a edificações de alto padrão ou novos projetos comerciais.
A Syntropia posiciona o DuoSolis não como um produto isolado, mas como parte de um ecossistema energético que inclui o projeto SyntroCore, uma bomba de calor multi-fonte em fase de pesquisa e desenvolvimento, e o software de gestão SyntroCode. O objetivo é integrar os módulos PVT com sondas geotérmicas e armazenamento térmico para maximizar a eficiência sazonal do sistema. Enquanto a empresa trabalha na proteção da propriedade intelectual e na validação do DuoSolis+, versão de próxima geração, o sucesso comercial dependerá da disponibilidade e do custo da bomba de calor SyntroCore. Até lá, a tecnologia permanece como uma solução de nicho, dependente da validação independente de terceiros e da superação dos desafios de integração em edificações existentes.
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