Statkraft projeta consumo de data centers no Brasil em até 134 TWh em 2050
Relatório GTS 2026 da Statkraft projeta que a demanda de energia para data centers e IA no Brasil pode saltar de menos de 8 TWh para até 134 TWh em 2050. Com R$ 500 bi em investimentos anunciados e 26 GW em pedidos de conexão, a empresa destaca a hibridização eólica-solar e testes de armazenamento na Bahia como soluções para garantir flexibilidade e contornar gargalos de transmissão.

O consumo de eletricidade destinado a data centers e inteligência artificial no Brasil pode crescer de menos de 8 TWh atuais para uma faixa entre 60 TWh e 134 TWh em 2050, segundo projeção do relatório Green Transition Scenarios (GTS) 2026 da Statkraft. Essa expansão é impulsionada pelo crescimento estrutural da demanda digital e pela eletrificação de outros setores, exigindo adaptação física do sistema elétrico. Cerca de R$ 500 bilhões em investimentos em data centers já foram anunciados, gerando pedidos de conexão que somam mais de 26 GW, o que pressiona a infraestrutura de transmissão existente.
Diante desse volume, a simples expansão da geração renovável mostra-se insuficiente sem maior flexibilidade operacional. A Statkraft destaca a hibridização como estratégia chave, integrando usinas solares a complexos eólicos na Bahia, como nos projetos Santa Eugênia e Morro do Cruzeiro. Esses empreendimentos somam R$ 926 milhões em investimentos e 275 MWp de capacidade solar, buscando otimizar o uso da infraestrutura de conexão já licenciada, diversificar a produção ao longo do dia e suavizar a curva de geração, o que é crítico para atender à demanda pontual dos grandes consumidores digitais.
Os 26 GW em pedidos de conexão indicam risco de saturação nos pontos de interligação à rede. Sem soluções de armazenamento ou gestão inteligente de fluxos, os projetos podem enfrentar atrasos na entrada em operação. A autorização da Aneel para testes de baterias na Bahia, mencionada pela empresa, permite validar a flexibilidade como ativo estratégico, contornando gargalos de transmissão sem depender exclusivamente de novas linhas de transmissão demoradas. Para o mercado, a pressão desses investimentos deve acelerar a transição para modelos híbridos, onde a previsibilidade da operação ganha mais valor que a potência instalada bruta.
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