Voltera: gestão de carga e baterias geram até 34% de economia no mercado livre
A Voltera estima que ajustes no perfil de consumo podem reduzir custos em até 34%. A empresa destaca o potencial de baterias para consumidores de média tensão e aponta a abertura da baixa tensão e tarifas horárias como vetores de expansão, apesar de limitantes regulatórios atuais.
A Voltera, comercializadora do mercado livre de energia, identificou que a gestão de carga pode gerar economias de até 34% para empresas com flexibilidade operacional. A diferença entre as tarifas de ponta e fora de ponta pode multiplicar por oito o custo do MWh na mesma concessão. Casos como o da Kallan Calçados, com 34% de economia, e da Agrex, com 30%, ilustram esse potencial. Na Riviera de São Lourenço, a reestruturação de subestações já gerou economia superior a R$ 3 milhões em seis anos, demonstrando o impacto financeiro direto da otimização do perfil de consumo.
Para operações que não permitem o deslocamento direto da carga, o armazenamento com baterias surge como alternativa viável. Alan Henn, CEO da Voltera, indica que o payback de 2 a 4 anos é atrativo para consumidores de média tensão (A4) na modalidade Verde, onde a Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição (TUSD) de ponta é elevada. Na modalidade Azul, o benefício tende a ser menor, pois a bateria atua principalmente sobre a demanda. O cenário atual das commodities influencia o CAPEX, mas a economia na tarifa de uso da rede mantém o caso econômico favorável para indústrias e comércio de dois turnos.
A expansão desse modelo enfrenta limitantes regulatórios, principalmente a ausência de remuneração pela injeção na rede e por serviços de baterias atrás do medidor. Isso restringe a viabilidade econômica, especialmente para o segmento residencial, onde a conta ainda não fecha com os preços atuais. A Voltera aponta que a adoção de tarifas horárias e a abertura da baixa tensão são essenciais para criar novos mercados de serviços e ampliar a adoção de armazenamento.
Telemetria e automação são fatores críticos para sustentar as economias, pois permitem o acompanhamento em tempo real do consumo. Estabelecimentos como hospitais e hotéis têm pouca margem para alterar a carga contínua, dependendo mais da automação. Com a abertura do mercado para consumidores residenciais, a integração entre geração solar, preços horários (PLD) e armazenamento deve ganhar força, aproximando o perfil de consumo ao de geração e aproveitando preços mais baixos no meio do dia.
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