Absolar propõe meta de 8 GW de armazenamento e leilões anuais para 2030
Associação brasileira de energia solar apresenta ao governo Lula agenda com três pilares: meta de 8 GW de BESS, leilões anuais de capacidade e redução de impostos sobre baterias. Proposta visa mitigar curtimento de 17,2% e atrair data centers, usando REIDI e Redata como base legal.

A Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar) apresentou ao governo reeleito de Luiz Inácio Lula da Silva uma agenda estratégica que inclui a meta de instalar 8 GW de armazenamento de energia em larga escala até 2030. O plano, estruturado em três pilares — Bateria Brasil, Energia que Emprega e Sol para Todos — propõe a institucionalização de leilões anuais de capacidade para sistemas de armazenamento (BESS).
O contexto para essa pressão regulatória é o elevado índice de curtimento de energia renovável, que atingiu 17,2% do potencial de geração no primeiro trimestre de 2026. Para viabilizar a competitividade dos projetos, a Absolar solicita a redução da carga tributária sobre baterias, que chega a 84,8%, para o patamar aplicado às fontes renováveis.
A associação argumenta que a aplicação do Regime Especial de Incentivos ao Desenvolvimento da Infraestrutura (REIDI), previsto na Lei nº 15.269/2025, é condição sine qua non para atrair capital privado e mitigar o desperdício de geração limpa. A proposta visa transformar o armazenamento em peça central da segurança energética.
Além do armazenamento, a proposta visa expandir o acesso a 3 milhões de unidades consumidoras e atrair indústrias intensivas em energia, como data centers, aproveitando a regulamentação do regime fiscal Redata (Lei nº 15.504/2026). Bárbara Rubim, presidente da Absolar, enfatiza a necessidade de previsibilidade para compensar projetos afetados pelo curtimento.
Rodrigo Sauaia, CEO da entidade, destaca que a agenda não gera novos custos tarifários, mas busca otimizar a infraestrutura existente para absorver o excedente renovável e reduzir a dependência de diesel em sistemas isolados. Os próximos passos críticos envolvem a análise dos editais dos leilões de 2 e 4 de dezembro de 2026.
Investidores devem monitorar de perto a regulamentação executiva do Redata e as nomeações na ANEEL, fatores decisivos para a velocidade de implementação da agenda. A integração bem-sucedida pode reduzir o preço da capacidade no mercado regulado e estabilizar o Preço de Liquidação das Diferenças (PLD).
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