Austrália Ocidental define meta de 75% de renováveis e fim do carvão até 2031
Governo da Austrália Ocidental estabeleceu meta formal de 75% de fontes renováveis na matriz elétrica até 2030/31. A decisão, classificada como declaração de intenção, visa atrair investimentos privados e acelerar o fechamento das usinas de carvão em Collie, posicionando o estado como hub energético em contraste com políticas conservadoras de outras regiões.

O governo trabalhista da Austrália Ocidental anunciou oficialmente uma meta de que 75% da geração de energia elétrica provenha de fontes renováveis até o ano-fiscal de 2030 ou 2031. Esta decisão marca uma virada estratégica significativa na política energética estadual, encerrando um longo período de estagnação nos investimentos em limpos sob a administração liberal anterior, que havia prometido não inaugurar novas usinas solares após 2012.
A ministra da Energia, Amber-Jade Sanderson, definiu a meta como uma 'declaração de intenção' e não como uma lei rígida com penalidades automáticas em caso de descumprimento. O objetivo é enviar um sinal claro de mercado para mobilizar investimentos privados, diferenciando-se de modelos mais coercitivos. Segundo a ministra, a combinação de renováveis, armazenamento e gás natural representa a mistura energética mais barata e confiável para a região.
Paralelamente à meta renovável, o governo comprometeu-se a fechar os últimos geradores de carvão de propriedade estatal na região de Collie até o mesmo horizonte temporal de 2030/31. Embora não haja uma ordem legal imediata para a única usina de carvão de propriedade privada no estado, o anúncio indica que seu fechamento é provável no mesmo prazo, sinalizando o fim da dependência do carvão na geração estadual.
A Austrália Ocidental já se consolidou como um hub de investimento em energia eólica, abrigando metade dos projetos eólicos do país que atingiram o fechamento financeiro. Recentes construções, como o projeto Parron Maam Marang de 470 MW e o futuro Marri de 550 MW, demonstram a aceleração da capacidade instalada, validada pela demanda interna robusta de grandes mineradoras e pela necessidade de expansão da infraestrutura de transmissão.
Para mitigar riscos de aumento de custos, o governo lançou o Programa de Investimento em Acessibilidade Energética, que oferece empréstimos de baixo juros de até 15 milhões de dólares para fabricantes instalarem sistemas solares e baterias. Modelagem apoiada pelo Boston Consulting Group alerta que, sem tais iniciativas, os preços da energia para a indústria poderiam subir até 89% até 2032.
A decisão contrasta fortemente com a tendência recente em outros estados australianos, como Queensland e o Território do Norte, onde governos conservadores eliminaram ou retrocederam em metas renováveis. Enquanto a Austrália do Sul busca 100% líquidos e o ACT já atingiu essa marca, a Austrália Ocidental posiciona-se como um polo de investimento em meio a um cenário nacional polarizado, aproveitando seus recursos eólicos excepcionais.
Sindicatos e grupos de defesa climática veem na meta uma oportunidade para garantir empregos seguros e bem remunerados em novas tecnologias, promovendo uma transição justa para trabalhadores do setor de carvão. No entanto, o sucesso dependerá da velocidade efetiva do fechamento das usinas em Collie e da capacidade da rede operada pela Western Power de integrar a nova geração eólica sem comprometer a estabilidade do sistema.
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