Críticos dizem que reformas de créditos de carbono da Austrália são insuficientes
Inquérito do Senado debate mudanças no esquema de créditos. Enquanto reguladores defendem a integridade, acadêmicos e ONGs alertam que falhas em projetos de revegetação persistem e que os novos poderes ministeriais podem abalar a confiança do mercado se mal utilizados.

O inquérito do Senado Australiano analisou mudanças propostas em agosto para o esquema nacional de créditos de carbono, que visam ampliar os poderes de fiscalização do Clean Energy Regulator. As reformas permitiriam ao Ministro do Meio Ambiente paralisar a emissão de créditos em projetos com métodos considerados falhos. No entanto, Karen Hussey, do Comitê de Garantia de Redução de Emissões, alertou que tal poder pode minar a confiança dos negócios, defendendo seu uso apenas como último recurso para evitar choques no mercado.
Apesar das novas medidas, acadêmicos e grupos ambientais argumentam que as reformas não corrigem falhas estruturais profundas. Andrew Macintosh, da Universidade Nacional da Austrália, criticou projetos de revegetação em terras incapazes de suportar crescimento florestal, comparando a iniciativa a 'tentar reflorestar a lua'. A Australian Conservation Foundation e outras ONGs reforçam que o sistema atual ainda permite a geração de créditos por feitos impossíveis, classificando os créditos como um truque contábil que não garante a remoção real de carbono.
O regulador australiano defende a solidez do sistema, citando a Revisão Chubb de 2022 e afirmando que créditos só são emitidos se o crescimento florestal for comprovado. O relatório final do Senado está previsto para 24 de novembro de 2026. Até lá, o mercado observa a tensão entre a necessidade de estabilidade regulatória e a demanda por rigor científico.
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