EPE projeta alta de 40% na demanda até 2036 e aposta em inovação tecnológica para otimizar a rede
Com o PDE 2036 apontando crescimento de consumo de 702 para 979 TWh, a EPE integra tecnologias como DLR e BESS aos estudos de planejamento. O leilão de 30/10 contratou R$ 8,88 bi, mas a estratégia foca em resiliência climática e eficiência de ativos existentes.
O Caderno de Demanda do PDE 2036 projeta que o consumo elétrico brasileiro avançará de 702 TWh em 2026 para 979 TWh em 2036, um salto de quase 40% impulsionado por data centers e eletrificação. Para responder a essa pressão sem comprometer a segurança ou elevar custos desnecessários, a EPE redefine a expansão da transmissão: não basta construir mais linhas.
A estratégia incorpora tecnologias de aprimoramento da rede, como o monitoramento dinâmico da capacidade (DLR) e sistemas flexíveis (FACTS), buscando liberar potencial ocioso na infraestrutura atual antes de autorizar novos investimentos pesados em circuitos físicos. O planejamento técnico, baseado nos Relatórios R1 e na governança participativa dos Grupos de Estudos Temáticos, permite avaliar alternativas como baterias (BESS) e acesso flexível via PNAST.
A materialização desse planejamento ocorreu hoje, 30 de outubro, com a realização do Leilão de Transmissão nº 04/2026, que contratou investimentos estimados em R$ 8,88 bilhões para 1.866 km de linhas e 12.694 MVA de transformação. No entanto, o certame é apenas uma peça do conjunto, visando equilibrar a expansão física com a otimização metodológica.
A resiliência climática surge como critério estruturante, dado que eventos extremos causaram 43% dos desligamentos de linhas entre 2014 e 2023, segundo dados do ONS citados pela EPE. O planejamento futuro deve integrar riscos físicos, como incêndios e ventos, aos modelos de simulação, evitando a perpetuação de soluções vulneráveis.
Com 45 estudos previstos para 2026, incluindo a análise de concessões em fim de vigência até 2030, a EPE busca modernizar ativos existentes. O foco está em antecipar necessidades, usar dados abertos e fortalecer a cooperação institucional para que a expansão entregue eficiência e segurança a longo prazo.
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