JA, Longi e Tongwei ampliam prejuízos no 9M/2026; guerra de preços persiste
Gigantes chinesas reportam quedas de receita e expansão de prejuízos líquidos nos primeiros nove meses de 2026. A dinâmica de sacrifício de margens para manter participação de mercado continua, com destaque para a aposta da Longi em tecnologia Back-Contact e a pressão global por volumes.
JA Solar, Longi e Tongwei divulgaram resultados financeiros para os primeiros nove meses de 2026 que confirmam a intensificação da guerra de preços no setor fotovoltaico global. As receitas das empresas caíram entre 9,69% e 23,62% em comparação ao ano anterior, enquanto os prejuízos líquidos atribuídos aos acionistas se ampliaram significativamente. A JA registrou receita de CNY 28,1 bilhões e prejuízo de CNY 3,64 bilhões; a Longi faturou CNY 43,8 bilhões com prejuízo de CNY 4,71 bilhões; e a Tongwei reportou receita de CNY 58,3 bilhões e prejuízo de CNY 6,76 bilhões. Esses números evidenciam que a estratégia de operar com margens negativas para escoar estoques e preservar a fatia de mercado ainda vigora, sem sinais imediatos de reversão na rentabilidade corporativa dos grandes fabricantes.
Apesar da deterioração dos resultados consolidados, há indícios de estabilização pontual no terceiro trimestre isolado, com redução nos prejuízos trimestrais da Longi. A JA Solar manteve o foco em mercados externos, que representaram 60,92% de seus envios de módulos, totalizando 36,22 GW no período. Já a Longi destacou-se pela transição tecnológica agressiva, enviando 31,64 GW de módulos Back-Contact (BC), o que corresponde a mais de 65% de seu total. A margem bruta desses módulos premium melhorou 6,27 pontos percentuais em relação ao primeiro semestre, sugerindo que a tecnologia BC está oferecendo melhor proteção contra a descompressão de preços do que as tecnologias padrão PERC e TOPCon, alterando a estrutura competitiva do setor.
O contexto macroeconômico na China reflete essa hipercompetição. O leilão de energia renovável em Guangdong, realizado em novembro de 2026, resultou em um preço de mecanismo de CNY 0,300/kWh, uma queda de 16,7% em relação à rodada anterior. Esse evento valida a tese de que a superoferta de capacidade instalada no país está forçando preços agressivos na origem, impactando toda a cadeia de suprimentos global. Para o mercado brasileiro, a ausência de mudanças regulatórias significa que o setor reage puramente a essas forças de oferta. Embora a redução de custos de módulos possa beneficiar a viabilidade de novos projetos, o aumento do risco de contraparte exige due diligence rigorosa sobre a saúde financeira dos fornecedores internacionais.
Tags
Comentários (0)
Seja o primeiro a comentar.
Receba o essencial do setor de energia
Os principais fatos que afetam preço, regulação, geração e combustíveis — todo dia ao meio-dia, no seu e-mail.
Como esta matéria foi produzida: apurada a partir da fonte oficial citada e de documentos primários, com verificação de números, datas e prazos antes da publicação, seguindo a nossa Política Editorial — que inclui o uso de tecnologia própria na apuração. Viu algo a corrigir? Fale com a redação.