Maryland lança leilão de US$ 200 mi para renováveis, contornando corte federal
O estado de Maryland criou o programa 'Megawatts for Maryland', um leilão de subsídios diretos de US$ 200 milhões para financiar geração limpa e armazenamento. A medida visa preencher a lacuna deixada pela revogação de créditos fiscais federais sob o OBBBA e conter o aumento de tarifas impulsionado pela expansão de data centers.

O governador Wes Moore anunciou o lançamento do 'Megawatts for Maryland', um programa de leilão competitivo administrado pela Maryland Energy Administration (MEA) com orçamento total de US$ 200 milhões. Financiado pelo Fundo Estadual de Investimento em Energia Estratégica, o mecanismo destina grants diretos para cobrir custos de desenvolvimento e construção de novos projetos de geração renovável e armazenamento de energia (BESS). A liberação dos recursos é limitada a até US$ 100 milhões anuais, buscando adicionar centenas de megawatts à rede nos próximos dois anos, capacidade estimada para abastecer mais de 150 mil residências no estado.
A iniciativa surge como resposta direta ao 'One Big Beautiful Bill Act' (OBBBA), da administração Trump, que reduziu ou revogou os créditos fiscais federais de investimento (ITC) essenciais para a viabilidade econômica de muitos projetos solares e de baterias. Ao substituir benefícios fiscais indiretos por subsídios estaduais diretos, Maryland busca garantir a continuidade dos investimentos em energia limpa. A base legal é a 'Utility RELIEF Act', sancionada no início de 2026, que estabelece o marco regulatório para essa intervenção financeira estadual, sinalizando uma autonomia energética frente ao recuo de incentivos federais.
O contexto local exige urgência devido ao impacto da expansão de data centers na pressão sobre a rede elétrica e nas tarifas dos consumidores. O governador Moore e a presidente da Câmara, Joseline A. Peña-Melnyk, enfatizam que a geração local e o armazenamento são cruciais para reduzir custos a longo prazo. Este programa complementa medidas anteriores, como a ordem executiva de setembro sobre custos de data centers e os US$ 300 milhões em alívio direto já liberados. A estratégia visa não apenas a transição energética, mas a estabilidade tarifária imediata para famílias e empresas.
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