PDE 2036 projeta 276 TWh de contribuição de eficiência e recursos distribuídos
Caderno do PDE 2036 indica que eficiência e geração distribuída evitarão 276 TWh de geração centralizada em 2036. MMGD deve atingir 91,7 GW, intensificando desafios de flexibilidade e a 'Curva do Pato', com consulta pública em andamento.
O Ministério de Minas e Energia (MME) e a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) divulgaram o Caderno de Eficiência Energética e Recursos Energéticos Distribuídos do PDE 2036, que projeta uma contribuição de 276 TWh desses recursos para o atendimento da demanda em 2036. Esse volume equivale à geração da parcela brasileira de Itaipu somada à de Xingó, sendo composto por 53 TWh de demanda evitada via eficiência energética e 101,1 TWh de autoprodução não injetada. O cenário indica uma mudança estrutural, onde a redução da pressão sobre grandes usinas e redes de transmissão convencionais depende cada vez mais da atuação dos consumidores na ponta do sistema.
A Micro e Minigeração Distribuída (MMGD) deve alcançar 91,7 GW de capacidade instalada em 2036, com 13,5 milhões de adotantes e investimentos estimados em R$ 95,9 bilhões no período de 2027 a 2036. A fonte solar fotovoltaica manterá sua dominância, representando 99% da capacidade, o que intensifica o fenômeno da 'Curva do Pato' e exige maior flexibilidade operacional. Para mitigar isso, a resposta da demanda por incentivos deve atingir 4,0 GW, enquanto a viabilidade econômica de baterias atrás do medidor permanece concentrada em nichos específicos, como consumidores do Grupo A4 Verde.
A modernização do setor elétrico enfrenta desafios críticos de coordenação e regulação. A expansão da geração distribuída transfere complexidade para as redes de distribuição, exigindo a integração de microrredes e usinas virtuais para garantir a segurança do Sistema Interligado Nacional (SIN). Paralelamente, a abertura do mercado livre para baixa tensão e a definição de mecanismos de valoração de serviços de flexibilidade são incógnitas regulatórias que podem alterar drasticamente os modelos de negócio. A indústria de eficiência precisa equilibrar seus ganhos com o crescimento do consumo de data centers, vetor emergente de demanda.
A Consulta Pública do PDE 2036 está aberta até 6 de novembro de 2026, permitindo que agentes do mercado apresentem contribuições para o planejamento energético nacional. Esse período é crucial para definir a trajetória de expansão dos recursos distribuídos e a adequação das tarifas. A consolidação da MMGD, que já representa 17,7% do consumo do mercado cativo em 2025, estabelece um precedente de descentralização irreversível. O sucesso da integração desses recursos dependerá da efetiva implementação das medidas de flexibilidade e da clareza regulatória estabelecida nas próximas semanas.
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