PDE 2036 projeta produção de 4,9 milhões de barris/dia e alerta para reposição de reservas
EPE projeta pico de produção em 2028 e estabilização em 4,9 milhões de barris diários até 2036. Estudo destaca necessidade de R$ 2,4 trilhões em investimentos e entrada de 29 FPSOs para sustentar a oferta, dada a baixa relação reservas/produção de 13 anos.
O Caderno de Produção do PDE 2036, divulgado pela EPE, projeta que a produção nacional de petróleo alcance 4,9 milhões de barris por dia em 2036, após atingir um pico próximo a 5 milhões em 2028. Esse cenário indica uma fase de consolidação da oferta, impulsionada pelo pré-sal, que responderá por 73% do volume total. A manutenção desse patamar exige execução precisa dos investimentos, sem margem para atrasos significativos nos projetos já em andamento nas bacias offshore.
Para sustentar essa trajetória, o estudo estima investimentos de até R$ 2,4 trilhões em exploração e produção (E&P) entre 2027 e 2036. Parte crucial desse montante financiará a entrada em operação de 29 novas unidades estacionárias (FPSOs). A materialização da curva de produção depende diretamente dessa capacidade instalada para compensar o declínio natural dos campos existentes e garantir a estabilidade da oferta nacional ao longo da próxima década.
Um ponto crítico destacado é a reposição de reservas, com a relação reservas/produção (R/P) de petróleo caindo para 13 anos e a de gás para 8 anos em 2036. Esses indicadores sinalizam a urgência de novas descobertas e conversão de recursos em reservas. A falta de reposição adequada pode comprometer a sustentabilidade da produção a longo prazo, tornando a continuidade das campanhas exploratórias e a contratação de novas áreas fatores estratégicos essenciais.
No segmento de gás natural, a produção bruta deve crescer 72%, atingindo 308 milhões de m³/dia, enquanto a produção líquida saltará 125%, para 135 milhões de m³/dia. Essa divergência sugere maior eficiência operacional e redução de queimas. O pré-sal manterá hegemonia, mas a produção terrestre ganhará relevância, respondendo por 20% da oferta de gás, contribuindo para a diversificação e estabilidade da matriz energética nacional.
Oportunidades de otimização incluem a implantação de um Gas Hub no campo de Mero e o aumento do fator de recuperação dos campos, que pode adicionar bilhões de barris de óleo equivalente aos volumes recuperáveis. Embora o PDE seja um instrumento indicativo e não obrigatório, ele serve como subsídio fundamental para o planejamento da ANP e para o alinhamento dos CAPEX das concessionárias, refletindo as expectativas oficiais de oferta e demanda.
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