PDE 2036 projeta R$ 3,3 trilhões em investimentos e prioriza flexibilidade na matriz energética
O Relatório Síntese do PDE 2036, divulgado pelo MME e EPE, indica um sistema elétrico mais renovável, com foco em armazenamento e transmissão. A Consulta Pública está aberta até 6 de novembro para receber contribuições sobre o planejamento energético até 2036.
O Ministério de Minas e Energia (MME) e a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) divulgaram o Relatório Síntese do Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE) 2036, que projeta um cenário de alta eletrificação e renovabilidade para o Brasil. O documento estima investimentos de cerca de R$ 3,3 trilhões entre 2027 e 2036 para modernizar a infraestrutura. O consumo de eletricidade deve crescer 3,4% ao ano, atingindo 979 TWh em 2036, impulsionado por novos vetores como data centers, cuja demanda saltará de 3 TWh para 30 TWh, e pela eletromobilidade.
A transição energética exige maior flexibilidade do sistema para lidar com a intermitência de fontes solar e eólica, que juntos passarão a representar cerca de um terço da geração elétrica. Para garantir a segurança operativa, o PDE 2036 inclui pela primeira vez usinas hidrelétricas reversíveis (UHRs) na expansão indicativa, com 2,0 GW previstos. Essa medida complementa 7,2 GW de armazenamento em baterias e 4,0 GW de resposta da demanda, transformando a lógica de operação das hidrelétricas em ativos de armazenamento estratégico para equilibrar a rede.
A expansão da transmissão é outro pilar central, com a previsão de 31,9 mil quilômetros de novas linhas e 99,6 mil MVA de capacidade de transformação até 2036. A micro e minigeração distribuída (MMGD) também escala significativamente, passando de 50 GW para 92 GW, o que aumenta a complexidade operacional para as distribuidoras. O Brasil mantém sua posição de líder em renováveis, com participação de 51,2% na matriz energética total e quase 90% na matriz elétrica, reforçando a resiliência e a segurança do abastecimento nacional.
A sociedade civil e o setor privado foram convidados a participar da Consulta Pública MME nº 235, aberta até 6 de novembro de 2026. As contribuições podem ser enviadas via plataforma Brasil Participativo e influenciarão a versão final do relatório, especialmente no novo Capítulo 4, dedicado a questões futuras do setor. Dez cadernos temáticos serão publicados nas próximas semanas, detalhando aspectos específicos como eficiência energética, biocombustíveis e meio ambiente, oferecendo um panorama granular das transformações esperadas na próxima década.
O PDE 2036 sinaliza uma mudança metodológica ao focar não apenas na capacidade instalada, mas na gestão da flexibilidade e na integração de tecnologias emergentes. O planejamento busca assegurar que a expansão da infraestrutura acompanhe as transformações da demanda, mitigando riscos de gargalos na transmissão e promovendo uma transição energética justa e inclusiva.
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