SEIA: solar e baterias cortam preços de atacado nos EUA, mas contas residenciais sobem com custos de rede
Relatório da SEIA, divulgado pelo Solar Power World, mostra que geração solar e armazenamento reduziram custos de eletricidade em até 51% na Califórnia e 42% no Texas entre 2021 e 2026. Apesar da queda nos preços de geração, as tarifas residenciais aumentaram devido aos elevados custos de transmissão e distribuição.

Novo estudo da Associação da Indústria de Energia Solar (SEIA), reportado pelo Solar Power World, revela um cenário paradoxal nos mercados de energia dos EUA: enquanto a expansão massiva de energia solar e armazenamento de baterias reduziu drasticamente os preços no atacado, as contas finais dos consumidores residenciais continuam subindo. A análise, que compara os verões de 2021 e 2026 com ajuste pela inflação, destaca que a queda nos custos de geração não foi suficiente para compensar o aumento desproporcional nas despesas de transmissão e distribuição (T&D), especialmente em estados com alta penetração renovável.
No Texas, operado pelo ERCOT, a geração solar disparou 421% e a capacidade de baterias cresceu mais de 26 vezes, pressionando o preço médio de atacado para baixo em 42%, de US$ 54,97 para US$ 31,77 por MWh, mesmo com um aumento de 30% na demanda. Na Califórnia (CAISO), a geração solar subiu 90% e as baterias quase 7 vezes, com queda de 51% nos preços, de US$ 77,54 para US$ 38,32 por MWh. Esses dados demonstram a eficácia da geração distribuída e dos sistemas de armazenamento na redução dos custos marginais de produção de eletricidade durante os picos de consumo.
Contudo, para o consumidor final, a realidade é diferente. Embora os custos de geração residencial tenham caído 4% no Texas e 10% na Califórnia, as tarifas totais aumentaram 3% e 22%, respectivamente. O relatório atribui essa divergência aos custos de infraestrutura de rede, que estão 'comendo' as economias geradas pela energia limpa. Isso expõe uma falha crítica na narrativa de que a energia solar barata se traduz automaticamente em contas mais baixas, evidenciando a necessidade urgente de otimização dos investimentos em transmissão.
A análise da SEIA, divulgada em meio às eleições intermediárias, busca mostrar que a energia limpa é economicamente vantajosa, gerando economias estimadas em US$ 3,55 bilhões para o Texas e US$ 2,5 bilhões para a Califórnia no verão de 2026. No entanto, o risco político reside na percepção pública: se os cidadãos não sentem alívio nas faturas mensais, a resistência a novos projetos pode crescer. A pressão sobre os reguladores para repensar a tarifação de T&D e incentivar a descentralização da rede será um foco central nos próximos ciclos legislativos.
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