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AnáliseMercado & Investimento

Geração solar distribuída nos EUA quadruplica em dez anos, liderada por Califórnia e Texas

Dados da EIA revelam que a geração de sistemas solares pequenos nos EUA saltou de 18,8 TWh para 93 TWh em uma década. A Califórnia responde por 37% do total, enquanto mudanças tarifárias e incentivos estaduais moldam a expansão e a futura integração com armazenamento.

22 de outubro de 2026 às 03:15Fonte oficial: pv magazineRedação Battery Channel

A geração de energia solar distribuída nos Estados Unidos consolidou-se como pilar central da matriz elétrica residencial e comercial, quadruplicando sua produção em uma década. Segundo o Relatório Anual da Indústria de Energia Elétrica da Administração de Informações de Energia (EIA), a geração de sistemas fotovoltaicos de pequena escala, inferiores a 1 MW, atingiu 92.979 GWh em 2025, um salto expressivo em relação aos 18.812 GWh registrados há dez anos. Essa expansão maciça reflete a maturidade do mercado norte-americano, impulsionada por uma combinação de incentivos fiscais estaduais, melhorias tecnológicas e mudanças regulatórias que estimularam a adoção massiva de painéis solares em telhados residenciais e comerciais.

A Califórnia lidera inequivocamente essa transição, responsabilizando-se por 37% da geração nacional em 2025, com 34.411 GWh produzidos. O estado viu sua capacidade operacional de pequena escala crescer de 18 GW para 20 GW entre 2024 e 2025, impulsionando um aumento de 8% na geração. Esse desempenho foi catalisado pela transição da tarifa de medição líquida NEM 2.0 para o NEM 3.0 em abril de 2023. As provisões de grandfathering, que permitiram que instalações concluídas antes da mudança mantivessem taxas de compensação mais favoráveis, geraram um pico de instalações antes da redução das tarifas de exportação, influenciando diretamente o ritmo de expansão em todo o país e demonstrando o impacto imediato de ajustes tarifários.

Enquanto a Califórnia consolida sua liderança, outros estados emergiram como motores cruciais da expansão. Arizona ocupou a segunda posição com 5.795 GWh, beneficiando-se de créditos fiscais estaduais de 25% e incentivos locais. Texas e Flórida registraram crescimentos substanciais, impulsionados por isenções de impostos sobre propriedade e programas específicos, elevando suas gerações de cerca de 400 GWh e 200 GWh, respectivamente, em 2016, para mais de 5.000 GWh cada em 2025. Nova York também se destacou como o quinto maior produtor, superando a menor irradiância solar regional por meio de incentivos robustos. Esse mosaico de políticas estaduais distintas demonstra que a descentralização da geração é sustentada por ambientes regulatórios adaptados às realidades locais de cada região.

Apesar do crescimento absoluto, as taxas de expansão anual nacional moderaram-se desde o pico de 25% registrado em 2022, sinalizando uma fase de consolidação e saturação progressiva em mercados maduros. A EIA estima que a geração continuará a aumentar, mas o foco do setor está migrando para soluções integradas. Eventos do setor em outubro de 2026 destacaram a importância crescente do armazenamento de energia em baterias e das redes virtuais de geração (VPPs) para otimizar a injeção de energia. Essa evolução técnica é necessária para gerenciar a intermitência e maximizar o valor da energia gerada, especialmente em um contexto onde a adição pura de capacidade encontra limites físicos e de rede em algumas regiões.

O cenário americano oferece um precedente valioso para o Brasil, que opera sob um modelo distinto de compensação financeira com desconto de TUSD/TUST, conforme a Lei 14.300/2022. Enquanto os EUA lidam com os efeitos diretos de mudanças tarifárias estaduais como o NEM 3.0, o Brasil enfrenta a transição regulatória com regras de grandfathering válidas até 2033. A comparação sugere que a estabilidade regulatória e a clareza nas regras de compensação são determinantes para a continuidade dos investimentos. A moderação do crescimento nos EUA indica que a próxima fronteira não será apenas a instalação de painéis, mas a integração inteligente com armazenamento e gestão de demanda, tendências que já começam a influenciar as estratégias de investimento global no setor.

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