Índia atinge 86 GWh em montagem de baterias, mas mantém dependência crítica de células importadas
Relatório da Mercom India revela que apenas 21,6% da capacidade total está operacional. O descompasso entre a forte expansão downstream e a incipiente produção de células locais reforça a hegemonia chinesa nos preços globais de BESS, sem gerar pressão deflacionária imediata.
A capacidade de manufatura downstream de armazenamento de baterias na Índia atingiu 86 GWh, consolidando o país como um importante hub de montagem global. Contudo, dados da Mercom India indicam que apenas 21,6% da capacidade combinada (operacional e planejada) está efetivamente em operação. A indústria enfrenta um desbalanceamento estrutural: a montagem downstream representa 92% da capacidade operacional, enquanto a fabricação de células responde por apenas 8%, evidenciando que a Índia atua predominantemente como centro de assembly, mantendo dependência massiva de importações.
O governo indiano alocou cerca de US$ 1,91 bilhão no programa PLI para apoiar 50 GWh de capacidade de células, mais 5 GWh para tecnologias de nicho. Até agora, apenas 6,4 GWh desses projetos apoiados estão operacionais, com 28,6 GWh em construção. Raj Prabhu, CEO da Mercom Capital, alerta que a conversão dessa capacidade planejada em produção comercial estável é o principal desafio. A falta de visibilidade clara sobre a trajetória de demanda e a velocidade de implantação dificultam o planejamento de longo prazo e ameaçam a competitividade de custos das novas gigafábricas.
Geograficamente, a expansão está altamente concentrada: Gujarat responde por 51% da capacidade em construção, e, juntamente com Maharashtra, os dois estados somam 71% do total, elevando riscos logísticos e de resiliência da cadeia de suprimentos. Para o mercado brasileiro, não há impacto direto imediato em tarifas ou normas regulatórias. Indiretamente, a baixa operação de células na Índia significa que o preço global de baterias continuará sendo ditado pela oferta chinesa, preservando a estrutura de custos atual para projetos de armazenamento no Brasil, sem oferecer alívio significativo nos CAPEX de BESS através de uma nova fonte competitiva de células indianas em 2026.
A dependência contínua de células, materiais e equipamentos especializados importados limita a autonomia tecnológica e a resiliência da cadeia de suprimentos indiana. Fabricantes downstream ganham escala de montagem, mas perdem margens de independência tecnológica. O requisito de conteúdo local de 20%, que permite componentes downstream sem células domésticas, cria um precedente de 'localização fraca'. Para que a manufatura doméstica continue expandindo de forma competitiva, os fabricantes indianos precisam obter visibilidade sobre concessões de projetos e demanda real por equipamentos antes de comprometer grandes capitais em novas plantas de células, garantindo qualidade consistente e alta taxa de utilização.
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