Uruguai abre leilão de 99 MW solares com PPAs de 20 anos e sem baterias
A UTE lança o leilão P104220 para três usinas solares privadas de 33 MW. O modelo prevê PPAs de 20 anos, alto conteúdo local e serviços reativos, mas veda armazenamento. A meta é somar 500 MW em cinco anos, equilibrando atratividade financeira e riscos técnicos.
A UTE apresentou termos preliminares do leilão P104220 para contratar três usinas solares privadas de 33 MW cada, totalizando 99 MW de capacidade de injeção na rede. Os documentos oficiais devem ser publicados em 28 de outubro de 2026, com abertura de lances prevista para a última semana de janeiro de 2027. As plantas ficarão localizadas nas regiões de Tacuarembó, Florida ou Leste, utilizando conexões dedicadas independentes. O prazo máximo para instalação das unidades é de dois anos a partir da adjudicação.
Esta iniciativa integra a meta estratégica do Uruguai de adicionar 500 MW de capacidade solar em cinco anos, combinando expansão via projetos privados com investimentos diretos da estatal. A estrutura busca atrair capital privado garantindo estabilidade financeira através de contratos de longo prazo, enquanto gerencia os riscos técnicos associados à intermitência da geração fotovoltaica na rede elétrica nacional.
A remuneração segue um modelo híbrido desenhado para mitigar riscos cambiais e inflacionários. Nos primeiros 15 anos, o preço do megawatt-hora terá 60% de componente fixo, indexado parcialmente ao índice de produtores dos EUA e ao índice local uruguaio. Nos últimos cinco anos do contrato, a remuneração cairá para 40% do valor original, com indexação predominantemente local, ajustada pelas variações cambiais, reduzindo o custo final para o sistema.
O leilão proíbe explicitamente o uso de sistemas de armazenamento de energia por bateria (BESS), uma decisão que reduz o CAPEX inicial, mas aumenta o risco de curtailment (corte de geração) durante picos de produção solar. Em compensação, a UTE exige serviços de potência reativa, incluindo a capacidade de fornecer suporte de tensão noturno (Q at Night), permitindo que as usinas auxiliem no controle da rede mesmo quando não estão gerando energia ativa.
Os requisitos sociais e de conteúdo local são rigorosos para fortalecer a legitimidade política do projeto. Pelo menos 80% da mão de obra deve ser nacional, sendo metade composta por mulheres, idosos ou jovens. Há também pontuação positiva para o uso de bens e serviços locais. Embora isso possa elevar custos operacionais em regiões remotas, a metodologia final está sujeita à aprovação ministerial, um risco regulatório que os investidores devem monitorar de perto.
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