Dominion propõe 3,5 GW de armazenamento na Virgínia, abaixo da meta legal de 16 GW
IRP 2026 da Dominion prevê 3,5 GW de BESS, muito abaixo da exigência estadual de 16 GW até 2045. O plano inclui 8,9 GW de gás e 21 GW de solar. Críticas do SELC destacam o descompasso com a lei, enquanto a fusão com a NextEra e a expansão de data centers intensificam o debate regulatório sobre conformidade e custos.
A Dominion Energy apresentou seu Plano de Recursos Integrados (IRP) 2026 em 15 de outubro, traçando uma trajetória de expansão que inclui apenas 3,5 GW de armazenamento de energia em bateria (BESS) nos próximos 20 anos. Essa projeção contrasta com a legislação sancionada pela governadora Abigail Spanberger em abril, que impõe à utility a obrigação de buscar aprovação para 16 GW de armazenamento de curta duração até 2045, incluindo um marco intermediário de 4 GW para 2030.
O plano preferencial da empresa também prevê a construção de cerca de 8,9 GW de nova geração a gás e 21 GW de energia solar fotovoltaica. O Southern Environmental Law Center (SELC) criticou a proposta, argumentando que a priorização de usinas termofosséis em detrimento do armazenamento exigido viola a intenção legislativa de descarbonização. A organização afirma que a Dominion está negligenciando metas ambientais para atender à demanda dos data centers em 'Data Center Alley', região onde mais de 300 instalações processam metade do tráfego global de internet, segundo estimativas do Bloomberg.
Atualmente, a utility possui apenas 50 MW de BESS operando e 170 MW aprovados, volumes insuficientes para fechar a lacuna regulatória sem uma mudança drástica de rota. A análise do setor indica que a Comissão Corporativa do Estado da Virgínia pode modificar severamente o IRP, dada a clareza da lei estadual. A situação expõe um conflito estrutural entre a estratégia de curto prazo da Dominion, beneficiada pela escala potencial da fusão de US$ 67 bilhões com a NextEra Energy, e a pressão por conformidade ambiental.
O cenário regulatório torna-se ainda mais complexo com a cláusula de 4 GW de armazenamento de longa duração (LDES), condicionada à viabilidade tecnológica e à aprovação da comissão. A Dominion utiliza essa condição para explorar pilotos com tecnologias não baseadas em lítio, mas a imaturidade desses mercados pode servir como justificativa para postergar investimentos. Com a fusão com a NextEra ainda sujeita a aprovações regulatórias e oposição política, qualquer decisão da comissão nos próximos meses definirá se a Virgínia adotará uma postura punitiva ou negociadora, influenciando diretamente os investimentos em armazenamento na região.
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