EBRD estrutura US$ 566 mi para usina solar de 1,2 GW com 600 MWh de armazenamento no Egito
O Banco Europeu para Reconstrução e Desenvolvimento (EBRD) lidera pacote de dívida de até US$ 566 milhões para o projeto Nefer Menya, no Egito. A usina de 1,2 GWp terá 600 MWh de BESS, a maior do continente, com previsão de conclusão em 2027. O custo total é de US$ 764 mi. O financiamento híbrido visa viabilizar a escala recorde de armazenamento, substituindo geração fóssil e fortalecendo a segurança energética local.

O EBRD anunciou a estruturação de um pacote de dívida de até US$ 566 milhões para o projeto Nefer Menya, localizado em Minya, Egito. O empreendimento consiste em uma usina solar de 1,2 GWp (1.000 MW AC) integrada a um sistema de armazenamento por bateria (BESS) de 600 MWh, o que a torna a maior planta solar da África, segundo o banco. O custo total do projeto é estimado em US$ 764 milhões. O empréstimo principal da EBRD chega a US$ 265 milhões, composto por fundos próprios, contribuições do Banco da Jordânia e financiamento concessional do Fundo de Tecnologia Limpa, reduzindo o custo de capital para essa infraestrutura de alta densidade.
O veículo especial Nefer Menya é detido 51% pela Infinity Power Holding e 49% pela HAU Energy, com participação da EBRD em ambas as estruturas societárias. A AIKO foi selecionada como fornecedora exclusiva dos módulos fotovoltaicos. O projeto recebeu uma licença dourada do governo egípcio em agosto e prevê conclusão para setembro de 2027. A energia será comercializada à Egyptian Electricity Transmission Co. por meio de um contrato de compra de energia (PPA) de 25 anos, garantindo estabilidade financeira e alinhamento com as metas nacionais de renováveis até 2030.
A escala de 600 MWh de armazenamento representa um salto significativo em relação a projetos recentes, como o Obelisk da Scatec, que possui apenas 200 MWh. Essa capacidade visa armazenar geração diurna para atender picos de demanda noturna, fortalecendo a resiliência da rede e facilitando o descomissionamento de 5 GW de geração fóssil ineficiente, conforme o programa Nexus do Egito. O sucesso deste modelo híbrido pode servir como benchmark para futuros investimentos em BESS no continente, validando a viabilidade técnica e comercial de grandes baterias em mercados emergentes.
O financiamento da EBRD sinaliza uma mudança estrutural na segurança energética da África, transformando a intermitência solar em capacidade despachável. Ao combinar capital catalisador com investimento privado, o projeto demonstra como a transição energética pode ser acelerada em mercados emergentes. A conclusão bem-sucedida do Nefer Menya não apenas diversificará a matriz egípcia, mas também estabelecerá um precedente para a substituição de termelétricas antigas por soluções renováveis com armazenamento, impactando positivamente a estabilidade tarifária e a independência energética a longo prazo.
Tags
Comentários (0)
Seja o primeiro a comentar.
Receba o essencial do setor de energia
Os principais fatos que afetam preço, regulação, geração e combustíveis — todo dia ao meio-dia, no seu e-mail.
Como esta matéria foi produzida: apurada a partir da fonte oficial citada e de documentos primários, com verificação de números, datas e prazos antes da publicação, seguindo a nossa Política Editorial — que inclui o uso de tecnologia própria na apuração. Viu algo a corrigir? Fale com a redação.