EPE projeta potencial de 139 GWh para baterias BTM no Brasil até 2036
O PDE 2036 estima que o mercado de armazenamento atrás do medidor possa atingir 139 GWh, representando entre R$ 70 bilhões e R$ 417 bilhões em investimentos. A viabilidade econômica, contudo, permanece restrita a nichos industriais, dependendo criticamente da queda de custos.

A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) projeta, no Plano Decenal de Expansão de Energia 2036, um potencial de 139 GWh para armazenamento de energia atrás do medidor (BTM). Essa capacidade está vinculada aos excedentes solares injetados na rede, considerando um cenário de crescimento da geração distribuída para quase 92 GW. O volume de investimento potencial varia drasticamente conforme a adoção e os custos unitários, oscilando entre R$ 70 bilhões, com base em R$ 500/kWh, e R$ 417 bilhões, considerando R$ 3.000/kWh. Trata-se de uma estimativa de mercado, não de uma meta obrigatória.
A viabilidade econômica do armazenamento BTM é segmentada e enfrenta desafios distintos. Para clientes do Grupo A4 com Tarifa Verde, a arbitragem tarifária apresenta o maior potencial, especialmente no mercado livre sem desconto na TUSD, onde a atratividade se mantém para custos de até R$ 1.500/kWh. Em contraste, a inclusão de baterias em sistemas fotovoltaicos residenciais e comerciais de baixa tensão, submetidos à Tarifa Branca, revela resultados limitados. O Valor Presente Líquido (VPL) positivo nesses segmentos só é alcançado se o custo da bateria ficar abaixo de R$ 500/kWh, tornando o investimento inviável com os preços atuais.
A Lei nº 14.300/2022, que reduz gradualmente a compensação de créditos de energia, incentiva o autoconsumo, mas, isoladamente, não sustenta a adoção massiva de baterias. A EPE alerta que a queda dos custos de aquisição é o fator crítico para melhorar a atratividade. Atualmente, os custos turnkey de referência são de R$ 1.500/kWh para sistemas comerciais e industriais e R$ 2.750/kWh para residenciais. Com esses valores, o prazo de retorno do investimento (payback) aumenta significativamente em comparação aos sistemas solares puros, restringindo a tecnologia a nichos específicos ou a consumidores que valorizam a resiliência do fornecimento.
A materialização dos investimentos projetados depende da trajetória de queda dos preços das baterias de íon-lítio e da consolidação dos sinais tarifários horários. O mercado deve monitorar se a redução de custos acompanhará a necessidade de viabilizar projetos com payback aceitável. A viabilidade econômica permanece concentrada em grandes consumidores industriais e comerciais, enquanto o segmento residencial enfrenta barreiras econômicas significativas, exigindo uma queda de preços muito além da tendência atual para se tornar amplamente atrativa sem subsídios ou mudanças regulatórias adicionais.
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