EPE registra recorde de 6 mil projetos de armazenamento no LRCAP 2026; habilitação técnica define aptos
A EPE encerrou o cadastramento do LRCAP 2026 com 6.091 projetos de baterias (296.807 MW). O volume recorde reflete interesse, mas a autarquia alerta que a fase de habilitação técnica filtrará severamente os candidatos. Os leilões ocorrem em dezembro, com operação prevista a partir de 2028.
A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) encerrou a etapa de cadastramento dos Leilões de Reserva de Capacidade (LRCAP) de 2026, registrando um recorde histórico de 6.091 projetos de armazenamento em baterias, equivalentes a 296.807 MW de potência declarada. Embora o volume sinalize um interesse robusto do setor, a autarquia enfatiza que esses números representam intenção bruta e não capacidade apta. A partir de agora, os empreendimentos enfrentarão rigorosa análise técnica e documental, processo que definirá quais agentes realmente participarão das lances nos certames agendados para dezembro.
Instituídos pela Portaria Normativa MME nº 136/2026, os leilões marcam uma mudança paradigmática ao contratar potência (MW) disponível para reserva, e não energia (MWh), visando garantir a segurança do Sistema Interligado Nacional (SIN) a partir de 2028. O processo foi bifurcado em dois certames: o LRCAP Armazenamento Nacional, que cria um prêmio regulatório para projetos com conteúdo nacional comprovado, e o LRCAP Armazenamento, aberto a todos os elegíveis. Essa estrutura busca fomentar a indústria doméstica enquanto assegura a flexibilidade operativa necessária para integrar fontes renováveis e reduzir a dependência de termelétricas em picos de demanda.
Analistas do setor apontam que o volume excessivo de cadastro, superior a 296 GW, sugere uma fase especulativa, com riscos executivos significativos devido aos prazos apertados para entrada em operação. A cadeia de suprimentos de baterias no Brasil ainda amadurece, e a severa filtragem na habilitação técnica provavelmente descartará a maioria dos projetos não viáveis. O sucesso na redução dos custos da Reserva Operacional (ESS-RE) e o impacto nos encargos setoriais dependerão diretamente da efetiva entrega desses sistemas, transformando o interesse atual em realidade operacional concreta.
A divulgação da lista de projetos habilitados pela EPE será o termômetro real da saúde do mercado. Enquanto isso, o cenário global de commodities e ações do setor de baterias reflete volatilidade, exigindo cautela de desenvolvedores e investidores. O foco agora é a conformidade técnica. A efetivação desses contratos pode estabilizar a conta de luz a longo prazo, mas o curto prazo exige atenção às incertezas logísticas e à maturidade da indústria nacional de armazenamento.
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