YOU.ON obtém primeiro código FINAME para BESS e visa 1 GW no leilão de baterias
A YOU.ON tornou-se a primeira empresa a receber o código FINAME do BNDES para sistemas de armazenamento de energia, validando a 'Rota 1' de conteúdo local. Em parceria com a chinesa Hyperstrong, a empresa planeja fornecer cerca de 1 GW para o leilão de 2 de dezembro, com possibilidade de expansão para 2,5 GW. A solução importa o bloco DC enquanto mantém o bloco AC e serviços locais, atendendo aos requisitos regulatórios.
A YOU.ON anunciou a obtenção do primeiro código FINAME do BNDES específico para sistemas de armazenamento de energia (BESS), um marco que valida a conformidade com a Portaria Normativa MME nº 136/2026. Essa certificação permite que a empresa participe do leilão prioritário de reserva de capacidade, previsto para 2 de dezembro de 2026, utilizando a metodologia de nacionalização conhecida como 'Rota 1'.
Sob esta regra, o bloco de corrente contínua (DC), incluindo baterias e sistemas de conversão de potência, pode ser importado da China pela parceira Hyperstrong, desde que haja comprovação rigorosa de capacidade industrial e qualidade global. Giorgio Seigne, diretor da YOU.ON, destacou que essa abordagem híbrida reduz os riscos técnicos associados à integração de equipamentos nunca antes fabricados no Brasil.
Enquanto o núcleo tecnológico é importado, a regulamentação exige que o bloco de corrente alternada (AC) — transformadores, quadros de média tensão e painéis elétricos — seja fornecido por produtores locais, assim como todos os serviços de instalação e operação. A validação do BNDES confirma que toda a cadeia produtiva, desde a proposta formal até a capacidade de entrega, foi auditada e aprovada.
A empresa estima fornecer inicialmente 1 GW de capacidade, mas já identificou alternativas para expandir o suprimento para entre 2 GW e 2,5 GW caso a demanda do leilão supere as projeções. A YOU.ON atuará como integradora turnkey, responsável pela engenharia, logística, montagem e adaptação às normas da rede elétrica brasileira.
Com os contratos previstos para assinatura em abril de 2027 e a operação comercial em agosto de 2028, o cronograma de 16 meses impõe uma pressão logística significativa. Isso exige planejamento preciso para fabricação, importação, localização e comissionamento dos ativos em todo o território nacional.
Este precedente estabelece um benchmark de qualidade e conformidade para o setor, mas também sinaliza desafios futuros. A 'Rota 1' não estará disponível em leilões posteriores, como o previsto para 2028, o que pressiona a indústria local a acelerar a nacionalização real da produção de baterias e módulos.
Para investidores, a existência do código FINAME oferece segurança regulatória imediata para garantir prioridade de despacho e contratação. No entanto, a sustentabilidade do mercado dependerá da capacidade da cadeia de suprimentos doméstica de escalar a produção de componentes AC e, futuramente, de células.
A consolidação desta tendência de nacionalização marca a transição do debate teórico para a execução prática no Brasil. Embora a tecnologia chinesa madura seja utilizada inicialmente, a exigência de conteúdo local força o desenvolvimento da base industrial nacional.
A YOU.ON e a Hyperstrong demonstram que é possível conciliar eficiência global com requisitos regulatórios locais, desde que haja uma integração técnica robusta. O sucesso desta primeira leva de projetos será crucial para definir a viabilidade econômica e técnica dos futuros leilões.
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